Com a prerrogativa de poder indicar o próximo líder do governo no Senado, o líder do PMDB na Casa, Eunício Oliveira (CE), é taxativo ao dizer que não recomendará nenhum nome para o posto. A indicação para o cargo, normalmente, fica com a maior bancada, como é o caso do partido, e tem, entre outras atribuições, a de articular votações de projetos de interesse do governo, além de defender a administração federal em temas controversos.

De acordo com Eunício Oliveira, nas negociações para a disputa pela Presidência do Legislativo, realizada na semana passada, líderes do PT puseram como condicionante ao apoio à candidatura à reeleição do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a indicação da vaga para a liderança do governo.

“No encontro realizado na noite anterior da votação, eu disse que o cargo não era do PMDB, mas da presidente Dilma. Se ela os consultassem, estavam autorizados a dizer a ela que o PMDB abriu mão em troca do apoio do PT ao Renan”, ressaltou o líder do PMDB no Senado ao Broadcast Político. “Sou cumpridor de acordo. A indicação é do PT”, acrescentou.

A resistência adotada pelos peemedebistas ocorre num momento em que as pesquisas apontam para um declínio abrupto da popularidade da gestão de Dilma. Segundo levantamento do Instituto Datafolha, divulgado neste fim de semana, de dezembro para cá, a avaliação do mandato da presidente como “ótimo” caiu de 42% para 23%.

A falta de uma indicação para a liderança também passa pela avaliação interna do PMDB de que o partido não tem sido ouvido por Dilma na formulação das principais questões políticas e econômicas encampadas pelo Palácio do Planalto. “O centro político do governo só tem gente do PT. Quem é o núcleo político dela? Aloisio Mercadante (Casa Civil), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência da República), Pepe Vargas (Relações Institucionais), Jaques Wagner (Defesa) e Ricardo Berzoini (Comunicações). Tem alguém do PMDB? Então, por que o líder do governo tem de ser do nosso partido? Não é que a gente não queira, mas é que está escolhido o núcleo político, e como você vai ser líder do governo se você não sabe o que está acontecendo dentro desse núcleo. Vai às cegas?” perguntou.

Na Câmara, a solução encontrada na semana passada foi a substituição do deputado Henrique Fontana (PT-RS) pelo deputado José Guimarães (PT-CE). A troca foi feita após derrota do Poder Executivo na disputa com o novo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Desde então, Guimarães tem adotado discurso de reaproximação com o PMDB e os líderes da base. Embora haja a busca pela ampliação do diálogo com a legenda por parte do PT, as sequelas da briga pelo comando da Casa entre as duas siglas permanecem. Eleito, Cunha rejeita qualquer tipo de negociação e/ou tratativa com Pepe Vargas, considerado por ele com “inábil” na condução do processo da sucessão da Presidência da Câmara.