Hacker confesso, Walter Delgatti Neto, também conhecido como “Vermelho”, revelou em depoimento à Polícia Federal o caminho que percorreu para descobrir os contatos telefônicos das autoridades públicas que foram hackeadas, segundo as investigações da Operação Spoofing. As informações são da GloboNews.

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O modus operandi era sempre o mesmo, segundo ele. Tudo começa a partir de uma ligação ao número de telefone celular das vítimas em que tem acesso ao correio de voz. É por meio de uma mensagem no correio de voz que ele conseguia obter o código de acesso às contas do aplicativo Telegram das pessoas hackeadas.

Delgatti disse que o primeiro telefone que invadiu foi o do promotor Marcelo Zanin Bombardi, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco). Bombardi foi o responsável pelo oferecimento de uma denúncia à Justiça contra Vermelho por tráfico de drogas relacionado a medicamentos que foram apreendidos em sua casa durante uma batida policial.

A partir da agenda do Telegram do promotor, Vermelho descobriu um grupo denominado “Valoriza MPF”, onde teve acesso aos números de José Roberto Robalinho, ex-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, e de outros procuradores, e posteriormente ao telefone do deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP). A cada agenda acessada, mais e mais contatos eram descobertos pelo hacker.

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A partir da agenda de Kim, Delgatti entrou na conta do Telegram do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que foi ministro da Justiça e secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, e depois do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Este tinha em sua agenda os números de celular de procuradores da Operação Lava Jato, como Deltan Dallagnol. A partir desse ponto, o acusado descobriu o número do ministro da Justiça, Sergio Moro, e de outros magistrados.

Manuela D’Ávila intermediou contato com Glenn

Manuela D’Avila confirmou que intermediou contato entre hacker e jornalista. Foto: Reprodução
Manuela D’Avila confirmou que intermediou contato entre hacker e jornalista. Foto: Reprodução

Delgatti afirmou que verificou nas conversas da Lava Jato que ele acessou supostas irregularidades e que, por isso, decidiu divulgá-las de forma anônima ao jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, por saber da atuação dele no caso Eduard Snowden. Que obteve o contato do jornalista com auxílio da ex-deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), cujo contato já havia sido obtido a partir da agenda da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que por sua vez foi extraído da agenda do ex-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB).

Delgatti disse que ligou para Manuela no Dia das Mães deste ano afirmando que tinha acessado conteúdos comprometedores da Lava Jato e queria repassá-los a Greenwald. O hacker teria percebido que ela estava acreditando na história e, por isso, enviou a ela uma gravação de áudios de dois procuradores. No mesmo dia, ele recebeu uma mensagem via Telegram do jornalista.

Em nota, Manuela afirma que temeu que o contato fosse uma ‘armadilha política’, e que por isso repassou o número de Glenn ao suspeito. “Apesar de ser jornalista e por estar apta a produzir matérias com sigilo de fonte, repassei ao invasor do meu celular o contato do reconhecido e renomado jornalista investigativo Glenn Greenwald”, destaca.

O hacker disse que não recebeu qualquer vantagem financeira ao divulgar as conversas a Greenwald e que não fez nenhuma edição do conteúdo. Vermelho está preso desde a terça-feira (23), em Brasília, por ordem do juiz federal Vallisney Oliveira.

Outro lado

Um dos advogados de Walter Delgatti Neto, Ronei Faria, não quis comentar o teor do depoimento de Delgatti divulgado pela GloboNews e pelo portal G1.

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Faria disse que seu cliente está sendo ouvido novamente na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, que vai reiterar um pedido para que Delgatti seja liberado após acabar o prazo da prisão temporária decretada contra ele. A prisão temporária dele expira neste sábado (27).

O juiz Valisney Oliveira, da Justiça Federal de Brasília, que decretou a prisão, determinou que os quatro suspeitos presos fossem colocados imediatamente em liberdade após o término do prazo. A PF pode pedir a prorrogação da prisão, por mais cinco dias, ou ainda a conversão da prisão em preventiva (sem prazo para acabar).

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