Foto: Ciciro Back/O Estado

Ferreira: lisonjeado.

O ano legislativo começa na próxima quinta-feira, dia 1.º de fevereiro, com 20 novos deputados. E algumas ausências serão sentidas, principalmente nos primeiros meses de trabalho. A reportagem consultou, informalmente, algumas das principais lideranças da casa para saber quais deputados que não estarão na Assembléia Legislativa em 2007 tiveram uma atuação destacada na última legislatura, que será lembrada pelos colegas.

Dez nomes foram lembrados pelos parlamentares e outros mais poderiam constar na lista, uma vez que não foram encontrados todos os líderes partidários. Porém, é consenso entre os deputados, inclusive entre os que deixam a casa, que não há lacunas no poder, que cada um tem seu papel, mas ninguém é insubstituível.

Citado por praticamente todos os deputados ouvidos, José Maria Ferreira (PMDB) deixará saudades. Segundo seus colegas, ele terá sua participação lembrada por causa da qualidade técnica do seu trabalho na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ferreira foi relator de matérias que tiveram ampla repercussão, como a Proposta de Emenda Constitucional que proibia o nepotismo – a contratação de parentes sem concurso público. Porém a Assembléia rejeitou a PEC, por uma diferença de quatro votos.

Marcos Isfer também foi bastante lembrado por seu desempenho na presidência da Comissão do Orçamento. Seus colegas consideram que ele teve sensibilidade para receber as demandas dos diversos setores da sociedade e as incluir no Orçamento. Isfer disputou a eleição para a Câmara dos Deputados, mas não conseguiu se eleger. Outro citado como bom articulador político foi o deputado federal eleito André Vargas (PT). Deputados de oposição entendem que Vargas se destacou na última legislatura, por defender temas contundentes. Também do PT e também eleito deputado federal, Ângelo Vanhoni foi mencionado como um bom líder do governo, que, segundo alguns deputados, deu uma cara nova ao PT na Assembléia.

O ex-presidente da casa, Hermas Brandão (PSDB) também foi relacionado pelos deputados consultados. Hermas foi considerado um grande líder e articulador. Já Neivo Beraldin (PDT) foi lembrado pela profundidade que dava aos temas, bem assessorado, o deputado exerceu um excelente papel de fiscalizador, segundo seus colegas. Também foram citados Rafael Greca (PMDB), Natálio Stica (PT), Barbosa Neto (PDT), Ailton Araújo (PPS) e Elza Correia (PMDB). Dos 54 deputados que encerraram 2006 na Assembléia Legislativa do Paraná, 20 não estarão mais na casa por diversos motivos: alguns não conseguiram a reeleição, outros foram eleitos para a Câmara Federal e dois deles não disputaram um novo mandato.

José Maria agradece o reconhecimento

Rogério Pereira

Dizendo-se lisonjeado pela lembrança dos colegas, José Maria Ferreira disse que seu empenho na Assembléia Legislativa desde 1995 foi pago com esse reconhecimento. ?Fui para a Assembléia para desempenhar um trabalho e não para ser um despachante de luxo. Fui para contribuir com meu Estado para construir uma aproximação entre a sociedade e o governo?, comentou.

José Maria foi o 48.º candidato mais votado na última eleição para deputado estadual, com 34.473, não conseguindo se reeleger por ter sido o 20.º colocado entre os candidatos do PMDB, que conquistou 17 cadeiras na nova composição do legislativo estadual. Para ele, o reconhecimento de seu trabalho não foi refletido nas urnas por falta de divulgação do que acontece no interior da Assembléia Legislativa. ?Os trabalhos mais importantes da Assembléia ocorrem nas comissões, mas os mais vistos são aqueles que levam recursos para suas comunidades. Eu não sou esse tipo de parlamentar, não sou segmentado, meu eleitor é toda a sociedade?, analisou, alegando que, se a TV Assembléia já existisse (há um projeto na casa para instalação de um canal de televisão para difundir os trabalhos desenvolvidos pelos deputados estaduais, nos mesmos moldes do que atualmente existe no Senado Federal e na Câmara dos Deputados), seu trabalho poderia ter sido melhor acompanhado pela população e o resultado das urnas nas eleições do ano passado poderia ter sido diferente do que apresentou.

Sobre seu futuro político, José Maria desconversou a respeito de um possível cargo no governo Roberto Requião. ?Nunca pautei minha atuação na Assembléia pensando na próxima eleição. Nunca trabalhei pensando em um cargo, se for convidado, é consequência?, garantiu, revelando que também estuda voltar a disputar a Prefeitura de Ibiporã ou uma nova candidatura à Assembléia Legislativa daqui a quatro anos.