O criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, constituído pelo vice presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite – que está preso -, protestou contra a denúncia.

Numa referência direta ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, que foi solto por ordem do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, Mariz foi taxativo. “Causou espécie o pedido do Ministério Público Federal de manutenção da prisão preventiva de Eduardo Leite não só porque não foram apontados os fatos que mostram a necessidade dessa medida bem como há uma falta de equidade no sistema penal na medida em que atores principais desse episódio tido como criminoso estão em liberdade e outros que são coadjuvantes estão presos.”

Mariz disse que assim que o executivo for citado será apresentada a defesa preliminar “na qual será demonstrada a falta de objetividade da denúncia especialmente no que diz respeito à descrição e à individualização das condutas”. Ele acentua que “muitas dessas condutas foram qualificadas como crimes diversos, vale dizer, vários crimes em uma só conduta, o que torna a denúncia inepta.”

Mariz apontou para outras empreiteiras que não foram alvo das denúncias. “Empreiteiras notoriamente participantes dos fatos tidos como delituosos não tiveram nenhum de seus funcionários, diretores ou acionistas, denunciados.”

A Camargo Corrêa informou que “pela primeira vez seus executivos terão a oportunidade de conhecer todos os elementos do referido processo e apresentar sua defesa com a expectativa de um julgamento justo e equilibrado”.

O criminalista Marcelo Leonardo, que defende a cúpula da Mendes Jr., disse que não teve acesso à denúncia. “Pelas notícias veiculadas foi possível perceber que há um excesso acusatório, tanto em relação às pessoas, quanto em relação às próprias imputações.”

Para o advogado José Luís Oliveira Lima, que defende executivos da Galvão Engenharia, a denúncia “é fruto da criatividade da acusação”. Segundo ele “a Galvão obteve seus contratos de maneira lícita e nunca participou de um suposto cartel”. “Durante a instrução processual ficará demonstrado que a empresa foi vítima bem como que a acusação é uma ficção”, afirmou Oliveira Lima. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.