Em mais um discurso para um plenário vazio, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) acusou hoje (05) o senador Humberto Costa (PT-PE) de ter usado o “exercício da imaginação” para pedir sua cassação por suas ligações com o empresário Carlos Cachoeira.

Com ataques ao relatório de Costa aprovado pelo Conselho de Ética do Senado, Demóstenes disse que o petista “deduziu” fatos que nunca ocorreram. O ex-líder do DEM criticou a decisão do conselho de impedir a realização de perícia, pela defesa, em áudios da Polícia Federal que flagraram sua suposta participação em negócios de Cachoeira.

A defesa sustenta que houve edição e manipulação dos áudios pela polícia para prejudicá-lo. Demóstenes disse que não teve direito à produção de provas, mesmo com decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) nesse sentido.

“O conselho negou as perícias, sem conhecer as provas em seu conteúdo completo para levantar montagens e fraudes.” Segundo Demóstenes, o próprio relator no Conselho de Ética admite que o STF poderá considerar ilegais as gravações da PF por terem sido realizadas sem autorização da Corte, que precisava avalizá-las uma vez que Demóstenes tem foro privilegiado.

O senador disse que Costa usou os áudios para defender sua cassação mesmo sabendo da sua “ilegalidade”. “Ainda que tivesse sido legalmente grampeado, quero ter direito de provar que as conversas imputadas a mim são frutos de fraude. É muito mais do que crueldade ser lançado ao calvário nessas circunstâncias. É uma injustiça histórica.”

O senador insiste que sua relação com Cachoeira é apenas de amizade, não de negócios. E criticou Costa por tê-lo chamado de “boquirroto” e ter desconsiderado seus argumentos de defesa no relatório final do conselho.

O ex-líder do DEM ainda disparou críticas ao Ministério Público Federal, a quem acusou de “desmentir Einstein para ser mais veloz que a luz”. “Em um minuto, avalia a necessidade de manter os grampos e elabora o seu parecer. A perseguição foi feita em conjunto e eu era o alvo. Até hoje, continuo na alça da mira.”

Ao apelar para a emoção dos colegas, Demóstenes disse que é vítima de uma campanha para “limpar” a imagem do Senado -mesmo sendo inocente de todas as acusações.

“Se meu pescoço não servir de abrigo para efeito da mídia, ela vai se voltar para esta Casa. Seria certo tirar suspeito de dentro da delegacia e entregar para multidão que pede o seu linchamento? Se depois for descoberto que ele estava correto, será tarde. Porque a sede de sangue vai abastecer a enxurrada.”

Esvaziamento

Apenas quatro senadores estavam presentes no plenário do Senado no momento do discurso de Demóstenes. O parlamentar promete fazer discursos diários, até quarta-feira, quando o plenário vai decidir em votação secreta sobre a sua cassação. O de hoje foi o terceiro.

Ontem (04), com o plenário cheio, Demóstenes não falou. O senador justificou a ausência ao afirmar que o regimento da Casa não lhe permite falar no início da sessão por mais de dois dias seguidos. Disse que se inscreve para falar ao final -mas a sessão acabou suspensa antes de sua fala.

Ele também não fez sua defesa na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, que ontem aprovou a legalidade no processo de cassação aprovado semana passada pelo Conselho de Ética.