Uma das preocupações da campanha de Dilma Rousseff (PT) no segundo turno da eleição presidencial é desfazer a rede de boatos na internet, reproduzida em outros espaços coletivos, que contaminou a imagem da ex-ministra da Casa Civil e que foi apontado como um dos fatores na queda do seu índice de intenções de votos na reta final do primeiro turno.

Além do questionamento da posição de Dilma sobre o aborto, dois outros rumores perturbaram os aliados de Dilma: insinuações sobre a sexualidade da candidata e acusações de satanismo contra o candidato a vice-presidente, deputado federal Michel Temer (PMDB).

Agência Câmara
Vargas: “Vamos refutar todos eles”.

A linha, definida por petistas e aliados, como “terrorismo religioso moralista” vai ter um contra-ataque à altura, disse ontem o presidente estadual do PT, Ênio Verri, um dos coordenadores da campanha de Dilma no Paraná.

Ele passou os últimos três dias em Brasília, debatendo as linhas de campanha de Dilma na coordenação nacional. Ontem à noite, em encontro em Curitiba, Verri iria repassar as informações às lideranças da coligação do primeiro turno na eleição estadual, os senadores eleitos Gleisi Hoffmann (PT), Roberto Requião (PMDB), e os deputados de todos os partidos da coligação (PDT, PMDB, PDT, PC do B, PR e PSC). O senador Osmar Dias (PDT) também iria participar da conversa.

O secretário nacional de Comunicação do PT, deputado federal reeleito André Vargas, disse que, paralelamente, ao debate sobre as propostas de campanha, é preciso combater no ambiente digital.

“Nossa estratégia é, primeiro refutar os boatos e a baixaria da reta final de campanha. Foi feito um trabalho muito grande abusando da fé das pessoas, usando questões religiosas para atacar a nossa candidata”, afirmou Vargas, citando um exemplo pessoal. “A questão do aborto foi relevante, eu sou secretário nacional de Comunicação do PT, um dos dirigentes máximos do partido e sou coordenador da Frente Parlamentar contra Legalização do Aborto. Se o PT perseguisse as pessoas por esta posição, eu não estaria ocupando estes cargos”, disse.

A senadora eleita Gleisi Hoffmann pretende ir a igrejas e escolas onde já foi detectado que padres, pastores e professores reproduzem as correntes da internet.

“Nós queremos ter um diálogo franco com a sociedade paranaense sobre isso. A Dilma não merece o que andam dizendo por aí. Antes, era o Lula que iria fechar as igrejas, que ia dividir a casa das pessoas. Ninguém merece esse nível de campanha. Falam que a Dilma tem namorada, que o vice tem pacto com o demônio. O PT sempre foi duro, crítico nas campanhas, mas no campo das propostas, da política”, afirmou a senadora eleita.

Verri comentou que a coligação tem entre seus eleitos e líderes adeptos de todos os credos, que vão ajudar no trabalho de esclarecimento da população sobre os temas religiosos da campanha.

“Temos aliados na Igreja Evangélica, na Igreja Católica”, disse o presidente estadual do partido. “Vamos fazer um trabalho nas redes sociais e responder a tudo”, completou.