Foto: Aliocha Maurício
Está tudo pronto no Guaraituba, mas inauguração não aconteceu.

Enquanto no terminal do Alto Maracanã, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, 70 mil pessoas se aglomeram e enfrentam grandes filas todos os dias para pegar ônibus, dois outros terminais que foram construídos justamente para desafogar o número de passageiros estão abandonados e sujeitos a ações de vandalismo. Prontos, os terminais de Guaraituba e Roça Grande não são inaugurados devido a uma briga sobre quem vai pagar a conta daqui pra frente entre a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), órgão do governo do Estado, e a Urbanização de Curitiba (Urbs), órgão da Prefeitura de Curitiba.

Quem já cansou dessa briga é a população. O terminal de Guaraituba, que custou R$ 2,6 milhões, deve absorver 40% do tráfego do Alto Maracanã quando inaugurado. Até lá, o mato cresce e o abandono é geral. Outras ações depredatórias não acontecem porque há um policial militar, 24 horas por dia no local.

No Roça Grande, ações depredatórias acontecem diariamente.

O mesmo não acontece no terminal de Roça Grande, onde já foram investidos quase R$ 1,7 milhão. Além de material antigo de construção abandonado, foram roubados fios das instalações elétrica e hidráulica. A reportagem de O Estado constatou que também foram retiradas torneiras dos banheiros, portas provisórias de madeira foram arrancadas e bebedouros foram tombados, sem contar a pichação do lado de fora do terminal. Ao lado, uma mensagem no muro cobra: ?Cadê o terminal??. Já as obras do Alto Maracanã, que custaram R$ 3,9 milhões, devem estar concluídas em dois meses.

Morador de Colombo há 23 anos, o aposentado Valdir Ricardo cobra das autoridades a liberação dos terminais. ?Minha mulher trabalha em Campo Largo e precisa sair de casa todo dia às 5h para andar até o terminal do Alto Maracanã e pegar ônibus. E é dinheiro nosso que foi investido aí. O povo sofre por causa de uma briga política?, reclamou.

De acordo com o coordenador da Comec, Alcidino Bittencourt Pereira, na Roça Grande o problema é de acesso. Há um prazo de dois a três meses para finalizar as obras do entorno para garantir a passagem dos ônibus. Pereira cobra um posicionamento da Urbs, que segundo ele seria o órgão responsável pelos gastos nos terminais a partir de agora. ?A Urbs alega não ter recursos. Mas, só no ano passado, a receita do sistema integrado de transporte foi de R$ 600 milhões, dos quais 4% são da Urbs. O nosso investimento já foi feito pelo Estado e financiamento do Bndes (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social)?, afirmou.

A Urbs nega e acusa o governo estadual de ter tomado uma decisão unilateral. Em nota, a Urbs informou que a operação de um novo terminal gera custos de R$ 340 mil mensais, em média, referente ao pagamento da quilometragem rodada para a integração das linhas. ?O sistema de transporte integrado, no formato atual, encontra-se no limite de sua capacidade de financiamento. Para novas ampliações, é preciso novas fontes de recursos para impedir que esses custos sejam lançados sobre a tarifa?, diz a nota.