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Política

Auditoria se reportava à direção do Banestado

  • Por Redação O Estado Do Paraná
Auditores foram ouvidos ontem pela CPI.

Walter José Benelli, auditor-geral do Banestado no período de abril de 1996 a dezembro de 1997, e Marçal Ussui Sobrinho, membro da equipe de auditoria do banco de 1979 a 1998, confirmaram ontem, em depoimento a CPI do Banestado instalada na Assembléia Legislativa, que a Auditoria tinha total liberdade para desempenhar suas funções dentro daquela estrutura bancária. Acompanhava e fiscalizava as operações de controle externo para evitar prejuízos ao patrimônio e ao funcionamento da instituição e tinha livre acesso a todas as empresas do conglomerado. Podia agir por iniciativa própria ou atendendo solicitação da diretoria ou de qualquer dos setores do banco.

Os resultados dessas auditorias eram sempre reportados à direção do banco. No período 96/97, a Auditoria instruiu cerca de 600 processos administrativos no Banestado que, segundo os depoentes, tiveram trâmite normal, com as punições decorrentes que iam da simples advertência até a perda do cargo nos casos mais graves. Segundo Benelli, ao fim de um ano, prazo que durou sua passagem pela chefia da Auditoria, foram encaminhados ao Ministério Público Federal oito processos, à Polícia Federal, nove, e ao Ministério Público Estadual outros nove.

Banestado Leasing

As suspeitas de irregularidades em qualquer área, inclusive nas agências do banco no exterior estavam sujeitas a auditagem. Os dois peritos admitiram a constatação de inúmeras irregularidades na Banestado Leasing, que tinha autonomia para operar e apresentava balancetes mensais.

As apurações realizadas entre 1996/1997 apontaram depósitos em conta individual do gerente de divisão da Banestado Leasing, Luiz Antônio de Lima, no Citybank, referentes a comissões sobre operações. Outros funcionários da empresa também estariam envolvidos. Os auditores citaram o nome de José Edson Carneiro de Sousa. Referiram-se ainda a gerentes de crédito, porém sem citar nomes, e qualificaram Lima como “homem forte” da Leasing, com amplo respaldo do então presidente da subsidiária do Banestado, Osvaldo Magalhães. A partir do relatório, segundo eles, o presidente do Banestado, Murta Ramalho, determinou as operações de praxe: realização de uma auditoria operacional e inquérito administrativo contra os funcionários envolvidos. O resultado foi, conforme Benelli, encaminhado ao Ministério Público. Nesse período foram abertos cerca de 15 processos administrativos somente na Banestado Leasing, que resultaram em oito demissões e outras punições aos implicados.

Segundo os ex-funcionários do banco, durante sua permanência na Auditoria os procedimentos para sanar as irregularidades apontadas foram atendidos. Confirmaram a presença constante de auditores do Tribunal de Contas do Estado no acompanhamento do processo de fiscalização, e informaram que essas equipes eram substituídas regularmente.

No caso das CC-5, Benelli disse aos deputados que eram poucas entre 1996/1997, ” mas abastecidas”. Quando, nas operações de controle interno, os auditores percebiam incompatibilidades entre o cliente e a movimentação da conta, pediam o seu encerramento E quando as investigações confirmavam irregularidades e se transformavam em notícia-crime, por exemplo, os auditores que tinham participado das investigações eram ouvidos pelo Ministério Público.

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