Retorno de Alvaro só depende de
conversa com senadores tucanos.

O senador Alvaro Dias formalizou ontem seu pedido de filiação ao presidente estadual do PSDB, o vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa. O senador conversou com Beto Richa ontem à tarde, na sede do partido. Antes de oficializar sua saída do PDT, Alvaro ainda terá uma última conversa em Brasília com a bancada de senadores do PSDB, os mediadores da negociação para seu retorno ao partido. Beto disse que aceita Alvaro de volta ao PSDB, com o compromisso de respeito às lideranças estaduais.

Alvaro está voltando ao PSDB sem um projeto eleitoral definido e após uma saída traumática em 2001, quando foi pressionado pela cúpula nacional a abandonar a sigla, que o ameaçou de expulsão. Alvaro e o irmão, senador Osmar Dias, recusaram-se a retirar o apoio à proposta de CPI da Corrupção. Alvaro perdeu o controle do PSDB e quase viu seu projeto de concorrer ao governo ir por água abaixo. Foi salvo pelo PDT que o acolheu e ao seu grupo, fornecendo legenda para sua candidatura ao governo no ano passado.

Derrotado na disputa, o senador passou vários meses em silêncio e agora retoma sua atuação política mudando para um partido que é oposição ao governo federal e ainda não definiu posição em relação ao governo estadual. Alvaro responsabilizou a falta de apoio do então candidato à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela sua derrota no Paraná. Lula apoiou o governador Roberto Requião (PMDB).

Esta é a quinta mudança de partido do senador desde que deixou o governo do Estado, em 90. Alvaro trocou o PMDB pelo PST, depois PP, até chegar ao PSDB. Quando entrou no partido, foi hostilizado pelos tucanos mais antigos que eram seus adversários, entre eles, Euclides Scalco e o ex-governador José Richa. Quando Alvaro saiu do partido, há dois anos, Richa e Scalco se reaproximaram do partido no Paraná. Nessa volta, o senador encontra no comando do partido o filho do ex-governador José Richa.

Beto Richa disse que, consultado pela direção nacional, não se opõs ao retorno de Alvaro. “Dentro de um projeto de fortalecimento do PSDB e do compromisso de trabalho e de respeito às lideranças estaduais tucanas todas as forças aglutinadoras são bem-vindas.” Beto Richa afirmou que é “dentro desse espírito” que Alvaro será recebido no PSDB. “Ele está disposto a se somar às lideranças que hoje estruturam o partido no Estado, colaborando para o fortalecimento da sigla”, comentou Beto.

Mas há focos de resistência ao retorno de Alvaro. “Da outra vez que ele entrou, nós saímos. Agora, se ele entrar, não vamos sair. Vamos brigar dentro”, disse o presidente do diretório municipal do Foz do Iguaçu, Hamilton Serighelli.

Senador lamenta decisão

O presidente estadual do PDT, senador Osmar Dias, lamentou a decisão do irmão, Álvaro, de deixar o partido, mas ressaltou que cada um tem o direito de fazer suas opções individuais. “Lamento que o partido esteja perdendo um senador, mas por outro lado, também estamos recebendo muitas filiações”, comentou.

Osmar disse que, desta vez, não seguirá Álvaro. “Em todas as outras vezes, ouvi os argumentos dele de que não ficaria bem eu deixar um partido que ele estava presidindo. Mas agora, decido o meu caminho. Fico no PDT em respeito ao partido que me deu a legenda para disputar e vencer a eleição ao Senado”, provocou.

O dirigente pedetista afirmou ainda que discorda do argumento que Álvaro vem usando para justificar sua saída, de que o PDT não tem estrutura para comportar duas lideranças como ele e o irmão. “Gostaria que ele ficasse para ajudar o PDT a ser grande. Acho que o partido não é tão pequeno assim, já que teve até candidato ao governo. Além do mais, essa questão de tamanho também depende da disposição de trabalho dos filiados do partido”, comentou.