Brasília ? Será encaminhado amanhã (16) para o Supremo Tribunal Federal (STF) o inquérito que investiga suposta extorsão feita pelo empresário Sebastião Buani ao presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Junto com o envio do inquérito, a Polícia Federal afirma que vai sugerir a quebra de sigilos telefônico e bancário de Buani e Severino.

A perícia do documento assinado por Severino autorizando a prorrogação do prazo de contrato do restaurante de Buani, Fiorella, não ficou pronta, pois apenas hoje a Câmara enviou documentos originais para a comparação da assinatura do presidente. Ela também será anexada à apuração.

Até a manhã de hoje, as investigações estavam sob coordenação da Polícia Federal. Com o surgimento de indícios de que Severino tenha talvez cobrado propina de Buani ? e não o contrário ?, o inquérito segue então para o Supremo, já que Severino tem foro privilegiado e não pode ser investigado pela PF.

Ontem, Buani apresentou o cheque de R$ 7,5 mil que teria sido pago em 2002 a Severino (então primeiro-secretário da Câmara em 2002 e 2003), para que ele renovasse a concessão do restaurante Fiorella na Câmara dos Deputados.

O cheque pode tornar-se uma prova do pagamento de propina, e Severino pode responder ao crime de corrupção ativa. Mesmo que ele renuncie à presidência da Câmara e ao mandato de deputado, o inquérito continuará no STF, já que o crime teria sido cometido durante o exercício de seu mandato.