A Polícia Federal (PF) entregou hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF) o inquérito do "mensalão", que desde junho de 2005, investiga o suposto pagamento de mesada a parlamentares e partidos da base aliada em troca de apoio ao governo. Até agora, foram indiciados cinco acusados e outros 40 estão relacionados para indiciamento. No relatório, a PF pediu mais prazo para concluir os trabalhos, uma vez que ainda falta fechar as perícias contábeis das empresas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser operador do caixa dois petista e dos bancos envolvidos no esquema.

A polícia informou que, até agora, foram tomados 226 depoimentos, cumpridos seis mandados de busca e apreensão e realizadas 30 vistorias técnicas em documentos e computadores. O material produzido está dividido em 21 volumes com 72 apensos, totalizando 4.500 páginas. A equipe que realiza as investigações é formada por 20 policiais e três funcionários administrativos da PF. A atividade tem o apoio das Diretorias de Combate ao Crime Organizado, de Inteligência e Técnico-Científica e da Divisão de Repressão a Crimes Financeiros da instituição.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-deputado José Dirceu (PT-SP) estão até agora livres de imputação porque as investigações não encontraram nada que os incriminasse, mas a tese do pagamento de valores a parlamentares com recurso de origem ilegal ficou fartamente comprovada nas apurações, conforme informou um policial que atua no inquérito.

Apesar do pedido de mais prazo, o Ministério Público (MP) pode entender que há elementos para oferecer denúncia contra os envolvidos e encerrar a averiguação. Entre os investigados, mais de 40 estão relacionados por suspeita de cometimento de crimes como lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, remessas ilegais, corrupção e caixa dois.

Entre eles, há pelo menos 18 parlamentares, operadores do mercado financeiro, empresários e funcionários públicos. Caso o STF concorde com a prorrogação de prazo, a PF pretende concluir o inquérito até junho. Nessa hipótese, será aprofundada a pista que leva ao caixa dois do PMDB, que seria comandado pelo José Borba (PR).

A PF também pretende aprofundar as investigações sobre o envolvimento de servidores públicos, sobretudo do Banco do Brasil (BB) e dos Correios, com a rede de corrupção, operada pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ter produziu o "mensalão". A base dessa investigação é a sindicância a ser concluída pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre os contratos do BB e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).