Rio – A Petrobras recebeu esta semana, em Cingapura, o FPSO Capixaba, um navio-plataforma que vai produzir 100 mil barris de petróleo por dia no campo de Golfinho, na Bacia do Espírito Santo. A embarcação, que deve iniciar as operações em maio, será a primeira no Brasil a produzir, em larga escala, petróleo leve – tipo com maior valor de mercado e que a Petrobras importa para produzir derivados mais nobres, como óleo diesel e gás de cozinha.

A previsão da estatal é de que a unidade chegue ao Brasil em 40 dias para ser instalada em Golfinho. Será a segunda grande plataforma a entrar em operação este ano: no início de abril, a P-50 começa a produzir no campo de Albacora Leste, na Bacia de Campos. Com capacidade para extrair do subsolo 180 mil barris de petróleo por dia, esta embarcação foi escolhida pela Petrobras como símbolo da auto-suficiência na produção nacional de petróleo, já que vai garantir uma folga entre o volume produzido e o consumo nacional de derivados.

O FPSO (sigla em inglês para unidade flutuante de produção, estocagem e transbordo) Capixaba, por sua vez, terá importante contribuição na redução da dependência nacional de petróleo importado. Atualmente, a Petrobras traz do exterior, principalmente da costa oeste da África, cerca de 250 mil barris por dia de um petróleo com características semelhantes ao que será produzido em Golfinho.

O campo capixaba tem reservas de cerca de 450 milhões de barris de óleo com graduação API (medida internacional de qualidade) entre 28.º e 40.º. Segundo esta medida, quanto mais perto de 50.º, melhor o óleo e, conseqüentemente, maior seu valor de mercado. O campo de Marlim, responsável por cerca de 1/3 da produção nacional, por exemplo, tem óleo de 19º API. Já o Brent, usado como parâmetro de preços internacionais, oscila em torno de 35.º API.

Em 2007, uma outra plataforma, batizada de FPSO Vitória, entra em operação no campo de Golfinho, também com capacidade para 100 mil barris por dia. Esta embarcação está sendo construída em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, pela italiana Saipem. Os dois sistemas de produção de Golfinho foram fretados pela Petrobras, que preferiu não licitar a construção das unidades no Brasil para antecipar a extração de óleo leve no País.

O campo foi descoberto em 2002 e se tornou prioridade entre os investimentos da empresa devido ao potencial para reduzir as importações nacionais.