Rio – A Petrobras e a estatal japonesa Nippon Alcohol Banhai abriram uma empresa para distribuir de álcool no Japão. A Brazil-Japan Ethanol, com 50% de participação de cada companhia, terá a missão de identificar mercados para o combustível brasileiro no mercado japonês. A expectativa é de que em um prazo de 18 meses seja feito o primeiro embarque, de 20 milhões de litros. O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, frisou, porém, que as exportações só serão feitas caso sejam construídas usinas no País e assim não haja maiores pressões sobre os preços internos.

"A prioridade é o abastecimento interno. Então, vamos precisar de mais áreas plantadas e novas usinas para atender ao mercado japonês", afirmou o executivo. O mercado brasileiro de álcool hoje está pressionado pelo aumento da demanda e o combustível já ultrapassou o R$ 1 estipulado como teto em reunião entre o governo e usineiros realizada em 2003. Com o aumento das exportações, admitiu o executivo, a tendência é de que o preço suba, caso não haja investimentos em aumento da oferta.

A legislação japonesa prevê a adição de até 3% de álcool na gasolina local, o que garante um mercado anual de 1,8 bilhão de litros para o combustível brasileiro. "A meta do governo japonês é chegar a 10% de adição, o que significa 6 bilhões de litros por ano", informou Costa. Hoje, porém, não há uso do álcool como combustível naquele país. A Nippon Alcohol Banhai importa o produto apenas para uso industrial, para fabricação de bebidas e perfumes, entre outros. A Petrobras vai mandar três funcionários para compor os quadros da Brazil-Japan Ethanol, que tem de concluir os estudos de mercado até 2008.

"Estamos satisfeitos de a Petrobras ter se comprometido a fornecer etanol para o Japão", disse o presidente da estatal japonesa, Jiro Amagai. Segundo ele, o contrato assinado hoje é fruto de negociações iniciadas na visita ao Brasil do primeiro-ministro Junichiro Koizumi, no ano passado. "Este ano o presidente Lula esteve no Japão e, mais uma vez, discutimos o assunto", disse Amagai. Os japoneses fizeram questão da presença da Petrobras na operação, como garantia de que os contratos serão cumpridos. Costa adiantou que a venda de álcool para o Japão será feita por contratos de longo prazo com usineiros, evitando o risco de falta de produtos em momentos de mercado aquecido.

Em 2004, o Brasil exportou 2,4 milhões de litros de álcool. Este ano, a Venezuela entrou na lista de compradores do combustível produzido no Brasil, recebendo duas cargas de 50 milhões de litros. O diretor da Petrobras disse que já negocia embarques permanentes para aquele país. Ele acrescentou que a Nigéria deve ser o próximo país a receber álcool brasileiro.