As instituições mais corruptas do mundo são os partidos políticos. A conclusão é da ONG Transparência Internacional. A entidade pediu aos governos o combate à corrupção e colocou o Brasil entre os primeiros da lista dos países com políticos mais corruptos. O relatório da ONG (organização não governamental) foi apresentado em Paris. A organização, única no mundo dedicada exclusivamente à luta contra a corrupção, entende que, para a opinião pública mundial, a corrupção política é um "problema sério". Mais sério que a corrupção nas empresas e na vida privada.

Os partidos tiveram a pior avaliação no "ranking", em 36 dos 64 países pesquisados no Barômetro Global sobre a Corrupção, documento publicado no primeiro Dia Internacional contra a Corrupção, criado pela ONU. Depois dos partidos, os parlamentares são os mais corruptos, seguidos pela polícia e o Poder Judiciário. O relatório da Transparência baseou-se na opinião de 50 mil pessoas entrevistadas pela Gallup Internacional.

A escala utilizada vai até cinco pontos. Esta a pior nota. Com uma escala média de quatro pontos, os partidos são situados na pior colocação em seis de cada dez países. O Equador lidera a lista das nações com políticos mais corruptos, com a nota 4,9, seguido pela Argentina, Peru, Índia, Bolívia, Brasil, Costa Rica e México. A nossa nota foi de 4,5, muito perto do primeiro lugar entre os mais bandalhos.

Numa hora em que fazem alarde sobre vitórias do nosso País, notadamente em alguns setores da economia, embora os níveis de pobreza demonstrem que nem tudo vai muito bem, revela-se o já sabido: que há algo de podre no nosso reino da Dinamarca.

A malcheirosa colocação dos nossos partidos e dos nossos políticos é revelada em uma hora importante, quando duas agremiações políticas que vinham apoiando o governo federal e dele participando (e ainda participam), o PMDB e o PPS, decidem romper com o poder central e seguir seus próprios caminhos. Aí, ignorada a corrupção, como se isto fosse possível, há um problema ético que muito se assemelha à corrupção ativa e passiva. O PMDB dividiu-se quando deliberou sobre o afastamento do governo Lula. A maioria da agremiação, a maior do País, considerando-se o número de prefeitos, senadores e deputados que possui, decidiu seguir caminho próprio. Mas os seus dois ministros e outros de seus altos membros agarraram-se ao governo. Querem ficar nos seus empregos na administração federal e, para isso, foram à Justiça e parece que estão dispostos até a romper com o PMDB. O governo, por sua vez, faz de tudo para continuar a tê-los "encilhados".

A fidelidade partidária inexiste entre nós e, em conseqüência, vige a infidelidade que cheira a corrupção. Pelo menos à corrupção dos costumes políticos.

Por mais de uma vez pregamos e agora insistimos que é preciso que os partidos políticos sejam co-responsáveis pelos atos de corrupção praticados por seus membros, tanto mais quando ocupam cargos, muitos deles eletivos.

Se um político de determinado partido o trai ou comete atos de corrupção, deve ser de alguma forma punido. Mas é essencial que o partido, que o acolheu, prestigiou, apresentou-o ao eleitorado e o recomendou para a vida pública, não possa lavar as mãos como Pilatos. As tem sujas tanto ou mais que o corrupto e, por isso, tem de pagar. Mais que conivente, é co-autor dos atos de exploração e enganação do povo. Deveria filtrar suas filiações e deixar de ser abrigo de corruptos.