Quase metade da população idosa do Paraná ainda não está imunizada contra a gripe em 2026. Com a cobertura vacinal abaixo de 55%, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) reforçou o alerta para que pessoas com 60 anos ou mais procurem as unidades de saúde e recebam a dose. A preocupação é com o risco de complicações provocadas pela influenza, especialmente pneumonia, agravamento de doenças crônicas e problemas cardiovasculares.
Até esta quarta-feira (4), o Paraná havia aplicado 1.136.610 doses da vacina contra a gripe em pessoas idosas, alcançando uma cobertura de 54,42%. O índice está distante da meta de 90% recomendada pelo Ministério da Saúde. Isso significa que, proporcionalmente, pouco mais de cinco em cada dez pessoas desse grupo foram vacinadas neste ano.
A baixa adesão preocupa as autoridades de saúde porque o envelhecimento aumenta a vulnerabilidade às complicações das infecções respiratórias. A gripe pode provocar quadros graves, exigir internação hospitalar e agravar condições preexistentes, como doenças cardíacas e pulmonares.
Os números de hospitalizações por pneumonia ajudam a dimensionar essa vulnerabilidade. Em 2025, o Paraná registrou 27.858 internações de pessoas idosas pela doença, segundo o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). O total corresponde a 55,2% de todas as hospitalizações por pneumonia no estado, embora a população com 60 anos ou mais represente aproximadamente 18% dos habitantes paranaenses.
Os dados não significam que todas essas internações tenham sido provocadas pela influenza, já que a pneumonia pode ter diferentes causas. Entretanto, a infecção pelo vírus da gripe pode desencadear complicações pulmonares e favorecer infecções secundárias, aumentando os riscos para essa faixa etária.
A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, destaca a importância de manter a vacinação anual em dia.
“A vacinação anual é uma medida fundamental de proteção. O vírus da gripe pode evoluir rapidamente para quadros graves de pneumonia ou desestabilizar condições de saúde preexistentes”, reforça.
Além das complicações respiratórias, a influenza também pode representar um risco para o sistema cardiovascular. A infecção desencadeia uma resposta inflamatória no organismo, capaz de agravar doenças existentes e aumentar o risco de eventos como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).
A vacinação reduz o risco de adoecimento grave e de complicações associadas à gripe. Como os vírus influenza sofrem alterações ao longo do tempo, a imunização precisa ser renovada anualmente, mesmo por quem recebeu a dose no ano anterior.
Onde encontrar a vacina contra a gripe no Paraná
Para facilitar o acesso, a vacina está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do Paraná. Em diversos municípios, também são oferecidas alternativas para pessoas com dificuldade de locomoção, como vacinação domiciliar e ampliação dos horários de atendimento. A disponibilidade dessas modalidades deve ser consultada na unidade de saúde de referência.
A Sesa também pede a participação de familiares e cuidadores para ampliar a cobertura vacinal até o fim do ano. “Pedimos o apoio dos familiares e cuidadores para garantir que a dose chegue a quem precisa até o final do ano”, afirma Maria Goretti.
A recomendação é que pessoas com 60 anos ou mais que ainda não receberam a vacina contra a influenza em 2026 procurem a UBS mais próxima, sem esperar pelo aparecimento de sintomas respiratórios.
A atualização da carteira de vacinação também deve incluir outros imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação do SUS. Para a população idosa, a vacina contra a Covid-19 deve ser aplicada a cada seis meses, conforme as recomendações vigentes.
A vacina dupla adulto (dT), que protege contra difteria e tétano, exige reforço a cada dez anos. Quem ainda não completou o esquema contra a hepatite B deve receber as doses necessárias para concluir a série de três aplicações.
Outra proteção prevista é a vacina pneumocócica 20-valente, conhecida como Pneumo 20, recomendada em dose única para pessoas a partir de 85 anos que nunca receberam o imunizante, conforme os critérios informados pela Secretaria de Estado da Saúde.
A orientação é aproveitar a ida à unidade de saúde para verificar a carteira de vacinação e identificar possíveis doses em atraso.
Cidades paranaenses com a menor cobertura
O cenário é ainda mais preocupante em municípios onde a cobertura contra a gripe não alcança sequer 40% da população idosa. Segundo os dados apresentados pela Sesa, estão nessa situação Santo Antônio do Sudoeste, Mandirituba, Doutor Ulysses, Santa Amélia, Capanema, Nova Santa Bárbara, Morretes, Itaguajé, Guaraqueçaba, São Pedro do Iguaçu e Clevelândia.
Essas cidades apresentam índices inferiores à média estadual de 54,42% e estão distantes da meta nacional de 90%. Os percentuais individuais não foram informados no levantamento divulgado, mas todos os municípios citados registram cobertura inferior a quatro em cada dez pessoas com 60 anos ou mais.
A Sesa reforça que a vacinação permanece disponível e que a procura pelas doses é importante para reduzir o risco de complicações, especialmente entre pessoas idosas com doenças crônicas ou maior vulnerabilidade a infecções respiratórias.
A diretora ressalta que a imunização também contribui para preservar a independência e o bem-estar dessa população. “Vacinar-se é um ato de cuidado que preserva a autonomia e a qualidade de vida dos nossos idosos”, afirma.
