O franchising paranaense faturou R$ 10,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 9% em relação aos seis primeiros meses do ano passado. O avanço foi acompanhado pela expansão da rede de unidades e pela geração de empregos. O número de operações chegou a 15.249, alta de 7,2%, enquanto os postos de trabalho diretos cresceram 7,1%, alcançando 132.549. Os dados foram divulgados na última sexta-feira pela Associação Brasileira de Franchising (ABF).
Curitiba concentra a maior parte desse mercado no estado. Entre janeiro e junho, a capital reunia 4.948 unidades de franquias, crescimento de 13,9% na comparação anual. O faturamento chegou a R$ 3,269 bilhões, alta informada de 7,6%, e o número de empregos diretos alcançou 42.879, avanço de 13,3%.
A capital, Londrina e Maringá também aparecem no ranking da ABF das 30 cidades de maior faturamento do franchising brasileiro. No primeiro semestre, Londrina registrou R$ 885,5 milhões em receitas, enquanto Maringá chegou a R$ 714,3 milhões. O levantamento considera as cidades com maior faturamento e as ordena pela variação nominal registrada na comparação com o mesmo período de 2025.
No conjunto, as 30 cidades movimentaram R$ 64,08 bilhões no primeiro semestre, crescimento nominal de 9%. Das localidades classificadas, 13 não são capitais. O desempenho de municípios do interior paulista e de cidades do Centro-Oeste está entre os destaques da edição de 2026.
Entendo os resultados
Para o presidente da ABF, Tom Moreira Leite, os resultados refletem a diversificação dos mercados em que as redes estão avançando. “O agronegócio se mostra mais uma vez um motor importante, mas não único”, afirma. Segundo ele, o dinamismo econômico e a elevada taxa de ocupação também ajudam a impulsionar o consumo de produtos e serviços oferecidos pelas franquias.
A interiorização é uma das apostas do setor para ampliar a presença no país. O presidente eleito da ABF para o biênio 2027-2028, Décio Pecin, defende que as redes adaptem seus formatos para alcançar municípios menores, com modelos de operação compatíveis com mercados de menor densidade populacional. Nesse contexto, as microfranquias podem ter papel importante na expansão.
“Essa questão de interiorização é fundamental”, disse Pecin durante a convenção da entidade. Na avaliação do executivo, a expansão exige adaptar modelos originalmente desenvolvidos para grandes centros e considerar as características econômicas e empresariais das cidades menores.
Pecin também destaca o papel das franquias na formalização de negócios. “O que o franqueador leva, além da formalização, ele leva a capacitação, ele leva conhecimento”, afirmou. A estratégia, segundo ele, passa por formatos menores e pelo apoio de franqueadoras com capacidade de estruturar operações no interior.
Momento do Brasil exige cautela
O movimento ocorre em um cenário de crescimento nacional, mas também de cautela entre os empresários. O Estudo do Franchising Brasileiro, realizado pela ABF em parceria com o Sebrae, aponta que o faturamento do setor avançou 9,7% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Apesar do resultado, as entrevistas qualitativas identificaram preocupações com custos, juros, margens e maior sensibilidade dos consumidores aos preços. O adiamento de investimentos aparece como um tema recorrente.
A pesquisa mostra que 55% das redes apontam a carga tributária como uma das principais preocupações para os próximos 12 meses. A mão de obra aparece em seguida, mencionada por 50% dos entrevistados. Juros altos e acesso ao crédito são citados por 34%, enquanto inflação e aumento de custos aparecem em 33% das respostas.
Na avaliação de Décio Pecin, a incerteza econômica interfere diretamente nas decisões de investimento. Durante a convenção, ele comparou o momento a uma viagem em meio à neblina: “Por prudência, empresário reduz a velocidade, as famílias reduzem a velocidade e a economia reduz a velocidade”. Para o executivo, a previsibilidade é importante para que empresas e consumidores voltem a fazer planos de longo prazo.
Futuro das franquias é promissor
O estudo indica, por outro lado, que a perspectiva das redes permanece positiva. Apesar das dificuldades, 92% das franqueadoras pesquisadas pretendem abrir novas operações nos 12 meses seguintes, e 85% esperam melhora no desempenho de suas redes no mesmo período. A expansão, portanto, segue nos planos do setor, embora acompanhada de maior atenção à rentabilidade e às condições de investimento.
No Paraná, os números do primeiro semestre mostram que esse movimento já se traduz em mais unidades e empregos. A expansão das redes em Curitiba, Londrina e Maringá comprova a presença do modelo em diferentes mercados do estado, entre a concentração de operações na capital e a participação de cidades do interior.
* o jornalista viajou a convite da ABF Con
