Avaliar o atendimento nas unidades de pronto atendimento (UPA) por fatos isolados, às vezes depõe contra o trabalho de outras equipes e de outros “postinhos”. Na segunda-feira, o Paraná Online testou o atendimento da unidade do Cajuru, e pôde comprovar que a qualidade do serviço oferecido – pelo menos naquele dia e naquele local – é elogiável, visto que o ambiente em qualquer ambulatório é sempre de angústia.

Desde o começo da manhã, a sala de espera da UPA do Cajuru estava movimentada. Mais de 30 pessoas – entre crianças, jovens, adultos e idosos – aguardavam pelo chamado no painel eletrônico para se encaminhar à triagem ou para a consulta médica. Além disso, uma equipe de limpeza trabalhava dentro e fora da unidade.

Dada a preferência para pacientes idosos ou em condições de saúde mais grave, conforme é determinado pelo protocolo internacional de Manchester, os mais velhos esperavam menos e logo eram chamados para a avaliação, seguindo para o atendimento médico.

Distração

Os outros pacientes passavam o tempo com o que tinham à mão: aparelhos celulares. A menina brincava de pedra, papel ou tesoura com a mãe, enquanto os mais abatidos dormiam. Alguns preferiram não esperar e foram embora antes do primeiro chamado. “Estamos esperando há 40 minutos pra avaliação. Mas está normal, às vezes chegamos a esperar mais de uma hora só para a avaliação”, comenta o pai de um adolescente.

Seleção por urgência

Depois da triagem, o adolescente que esperava há 40 minutos voltou para a sala de espera com uma pulseira verde, o que significava que seu quadro clínico não era urgente e justificava a demora de atendimento em relação aos casos mais graves. Meia hora depois, foi chamado para a sala 7 da UPA e saiu de lá menos de dez minutos depois.

Três salas estavam em funcionamento, além de outras duas destinadas à pediatria, sem contar a ala de urgência, onde o acesso é restrito. Os casos de emergência sequer passaram pela sala de espera. Foram diretos da recepção e já encaminhados para a ala específica. Alguns usavam cadeiras de rodas para conseguir entrar na UPA.

Em duas horas, todos os pacientes da sala de espera já tinham sido atendidos, enquanto novos chegavam, numa dinâmica que dura 24 horas.

Procedimento

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, os procedimentos para recepção aos pacientes das UPAs continuam os mesmos, apesar da mulher que morreu enquanto esperava por atendimento na unidade do Fazendinha. Os pacientes passam por avaliação de risco, onde é determinada a prioridade, conforme o protocolo internacional. A avaliação é feita por profissionais de enfermagem, com nível superior, ou médicos. Os pacientes podem passar por reavaliação, já que o quadro clínico pode mudar.

Luiz desistiu de esperar.

É preciso paciência

A saga para conseguir atendimento médico público, dependendo da gravidade e do temperamento do paciente, leva algumas pessoas a desistirem de buscar ajuda profissional e recorrerem a automedicação ou soluções caseiras de cura. É o caso do instalador de drywall Luiz Américo Palma de Souza, 35 anos, que por duas vezes buscou atendimento médico, por ter quebrado o pé e desistiu em função do tempo de espera e pelo modo como foi recebido. “Concluí que, entre sentir dor e raiva e ficar somente com a dor, a segunda opção é melhor”, resume.

Ele procurou o Paraná Online na noite de 22 de junho, cinco horas após o início da peregrinação em busca de atendimento. Segundo o paciente, ele foi direto ao Hospital do Trabalhador. No local, foi informado que o aparelho de raio x estava quebrado e que ele poderia espera,r o reparo. Por volta das 20h, retornou ao hospital e, somente na madrugada seguinte, chegou a vez dele fazer o exame. “O raio-x mostrou que eu tinha trincado um osso do pé e, mesmo assim, fui informado que teria que esperar mais umas horas para que o médico finalmente atendesse. Aí, desisti”.

Nova tentativa

Uma semana depois, Souza tentou novamente buscar ajuda. “Passei a semana tomando os remédios que tínhamos em casa, como paracetamol”, explicou. Chegou às 9h45 na UPA do Campo Comprido e às 10h58 foi atendido pelo médico. Embora o caso não se enquadrasse mais em urgência, Souza recebeu receita com injeção e medicamentos para a dor, mais o encaminhamento para o Hospital do Trabalhador.

Ainda na UPA, ele retirou os remédios e recebeu a injeção. De lá, pegou ônibus para o hospital. O pré-atendimento e a triagem foram realizados em menos de meia hora, mas ao saber que levaria mais três horas para novo raio-x, Luiz desistiu.

Resposta

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou que o paciente foi atendido nas duas ocasiões, mas desistiu de esperar. A Sesa informa que o hospital está à disposição do paciente, porém, que, por não se tratar de urgência, precisa se submeter ao tempo de espera.

É o seguinte!

Em nenhum momento o Paraná Online tem a intenção de dizer que as UPAs são uma maravilha. Afinal, nem nós nem você temos como estar em todas elas todos os dias e a todo tempo. Mas no teste que fizemos, a unidade de atendimento do Cajuru foi aprovada. Que sirva de exemplo e que todas sejam assim.