Foto: Silvino Garcia/diariocde.com

 O bloqueio da Ponte da Amizade foi determinado pelo prefeito de Ciudad del Este, que também ordenou o fechamento do comércio.

O lado paraguaio da Ponte Internacional da Amizade, fronteira entre o Brasil e o Paraguai, está fechado desde as 6h da manhã de ontem. A determinação partiu do prefeito de Ciudad del Este, Ernesto Zacarías Irún, e já estava definida desde a última sexta-feira, numa reunião que decidiu pela ida de uma comitiva paraguaia a Brasília para tentar uma solução ao impasse. Uma ameaça brasileira de reduzir a cota de importação de US$ 300 para US$ 150 também colaborou para o fechamento.

Vinte homens da Polícia Federal (PF) fazem a segurança do lado brasileiro da ponte. Os brasileiros estão sendo aconselhados a não realizar a travessia, pois o lado paraguaio está fechado. Segundo a PF, há a informação de que brasileiros estariam sendo agredidos no país vizinho e, portanto, a orientação é para não entrar no Paraguai. Na quinta, 16, várias pessoas ficaram feridas e seis acabaram detidas após um confronto com os agentes dos órgãos de segurança.

O comércio de Ciudad del Este também amanheceu fechado por determinação da prefeitura. O prefeito afirma que a passagem só será liberada após uma reunião em Brasília, marcada para hoje. O encontro terá representantes do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e uma delegação paraguaia liderada pelo vice-chanceler, Emilio Giménez. Também participarão do encontro o governador de Alto Paraná, Gustavo Cardozo, o prefeito de Ciudad del Este e representantes do setor comercial e importador da região.

Cota

A advertência para uma possível redução da cota de importação partiu do cônsul brasileiro em Foz do Iguaçu, Antonio Cruz de Mello, em um telefonema ao prefeito de Ciudad del Este. A informação foi reiterada pelo embaixador paraguaio no Brasil, Angel González Arias, no Itamaraty. A elevação da cota, na primeira metade do ano passado, teve como condição a ampliação do rigor no combate ao contrabando e pirataria de mercadorias no lado paraguaio o que, segundo a Receita Federal, não está acontecendo.

O secretário de Turismo de Ciudad del Este, Mauro Céspedes, discorda. Para ele, nos últimos meses, o país conseguiu reduzir cerca de 90% do contrabando bilateral de armas, maconha e tabaco.

O prefeito de Ciudad del Este disse que as empresas de turismo e de transporte de mercadorias de ambos países foram informadas do fechamento da ponte para evitar transtorno aos visitantes e a concentração de caminhões, principalmente os carregados com produtos agrícolas. Segundo Irún, "as perdas comerciais serão enormes se não houver acordo".

Estima-se que cerca de 35 mil brasileiros façam compras todas as semanas em Ciudad del Este, onde trabalham cerca de 8 mil pessoas que residem em Foz do Iguaçu. Há três semanas foram iniciados os bloqueios à Ponte da Amizade devido à intensificação dos controles da Receita Federal do Brasil. Estes controles incluíram, pela primeira vez, o confisco dos táxis, moto-táxis e vans de Ciudad del Este que transportam os sacoleiros e suas compras.