O Paraná viveu um dia de caos e mobilização de forças de segurança nesta terça-feira (22). A passagem de uma frente fria combinada com tempestades severas entre a noite de segunda (21) e a madrugada de terça provocou impactos em várias regiões do estado.
O balanço contabiliza milhares de imóveis sem energia elétrica, aulas suspensas na rede estadual, árvores arrancadas pela força dos ventos e a indisponibilidade temporária das centrais telefônicas de emergência de Curitiba e do Litoral. Os prejuízos se estenderam ao longo desta terça-feira, com alguns serviços ainda afetados.
Um boletim da Defesa Civil aponta que 29 municípios paranaenses foram atingidos por vendavais, granizo, enxurradas e alagamentos. Ao todo, 7.379 pessoas foram afetadas diretamente pelos eventos climáticos e 539 residências sofreram danos. O município de Apucarana, no Norte do Estado, decretou Situação de Emergência (SE) após registrar mais de 4,2 mil pessoas impactadas. Não há registro de mortes.
Segundo dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o estado registrou um volume expressivo de descargas elétricas. Entre a meia-noite e as 9h desta terça-feira, os sensores detectaram a incidência de 6.773 raios do tipo nuvem-solo espalhados pelo território paranaense.
Em Assis Chateaubriand, o acumulado atingiu 93,8 milímetros (mm) em 24 horas. Na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e no Litoral, a chuva também foi forte: Curitiba registrou 65,6 mm; a Lapa, 58,0 mm; Morretes, 58,0 mm; e Antonina, 55,4 mm.
Colapso nas linhas de emergência
Em Curitiba, o rompimento de um cabo de energia elétrica atrás do Palácio 29 de Março, no Centro Cívico, derrubou a Central de Telefonia da Prefeitura de Curitiba, deixando inoperantes cerca de 90% dos ramais administrativos municipais.
O incidente também interrompeu a comunicação do SAMU (192), da Guarda Municipal (153) e da Defesa Civil (199). Devido à interrupção do fluxo na Central de Regulação Médica da capital, o problema se estendeu para municípios da Região Metropolitana, como Campo Largo, Araucária, Tijucas do Sul e Rio Negro. O serviço foi normalizado no fim da tarde desta terça-feira (22).
Municípios do Litoral do Paraná também estão sem os números de emergência nesta terça-feira. Conforme informações da Prefeitura de Matinhos, segue temporariamente indisponível o número 192 do SAMU nas cidades de Paranaguá, Pontal do Paraná, Matinhos, Guaratuba, Morretes, Antonina e Guaraqueçaba. Para urgências e emergências médicas, é recomendado utilizar o telefone alternativo: (41) 9 9855-1268 (somente chamadas).
Falta de luz no Paraná
Quase um dia após os fortes temporais, algumas cidades do Paraná continuam sem energia. Dados do painel online da Copel, atualizados às 19h15, mostram que todos os imóveis do município de Califórnia, no Norte do Paraná, estão sem luz. São 4.285 unidades consumidoras.
Essa é a região mais crítica do estado. Em Marilândia do Sul, 86% da cidade também continua sem luz, o que soma 3.420 unidades. Em Apucarana são 17.815 unidades, o que corresponde a 28% do município.
Segundo o boletim emitido pela Copel às 18h desta terça-feira, equipes da companhia seguem trabalhando de forma ininterrupta para religar a energia de 101 mil unidades consumidoras ainda afetadas em todo o estado.
No pico do temporal, por volta das 2h da madrugada, 257 mil imóveis chegaram a ficar sem luz simultaneamente. Segundo a companhia, até o momento, 60% dos desligamentos já foram resolvidos.
Panorama de desligamentos por região:
- Norte: 48 mil imóveis sem luz.
- Campos Gerais: 28 mil imóveis desligados.
- Curitiba, RMC e Litoral: 11,1 mil imóveis sem energia.
- Noroeste: 8,3 mil imóveis.
- Oeste e Sudoeste: 3,6 mil e 1,6 mil imóveis afetados, respectivamente.
Impacto na rede estadual de ensino
A Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) informou que o funcionamento de 12 escolas estaduais foi afetado nesta terça-feira (22) pelas chuvas. As aulas foram suspensas nesses locais. Segundo a pasta, a maioria das unidades retoma a normalidade nesta quarta-feira (23).
Confira o panorama:
- União da Vitória: Sete colégios estaduais seguem com aulas suspensas (seis deles estão sendo utilizados como abrigos para famílias desabrigadas pelas enchentes e um está localizado em área alagada).
- Apucarana: As quatro escolas estaduais que tiveram atividades suspensas na terça (Heitor Furtado, José Luiz dos Santos, Polivalente e Isidoro Ceravolo) passam por reparos em vidros e telhados.
- Maringá/Astorga: O Colégio Estadual Rui Barbosa, em Astorga, que teve aulas suspensas na terça devido aos estragos, retoma as atividades normalmente nesta quarta-feira (23).
- Escolas Insulares e Rurais: Em Paranaguá, 12 escolas localizadas em ilhas mantêm o atendimento, mas algumas rotas de transporte marítimo podem sofrer alterações conforme o vento e a navegabilidade. Em Goioerê, Adrianópolis e Colombo, problemas no transporte escolar ou fornecimento de luz estão sendo contornados sem suspensão total do ano letivo.
O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar) e o programa Mãos Amigas atuam nos reparos das estruturas danificadas.
Maringá registra 55 quedas de árvores
Na estação do Aeroporto de Maringá, as rajadas de vento atingiram 122 km/h na madrugada. A cidade registrou cerca de 78 mm de chuva. A prefeitura mobilizou mais de 300 servidores em cinco frentes de trabalho para atender a 59 ocorrências, incluindo 55 quedas de árvores, 5 postes danificados e avarias em dois veículos e duas residências.
Na capital, além do colapso telefônico, a Defesa Civil registrou 15 quedas de árvores, 10 pontos de alagamento e a distribuição de 26 lonas para famílias atingidas por destelhamentos em diferentes bairros (como Xaxim, Umbará, Boqueirão, Hauer e Bigorrilho, onde houve queda de granizo). Duas pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas.
Estragos nas cidades
Uma das áreas mais castigadas do estado, Apucarana registrou ventos acima de 100 km/h ainda no início da noite de segunda-feira. A força da tempestade deixou dezenas de milhares de moradores sem luz, danificou estruturas de edifícios públicos e provocou forte instabilidade nos serviços de resgate.
Em União da Vitória, a subida do nível do Rio Iguaçu voltou a preocupar e impediu o retorno de famílias desabrigadas. Cidades como Formosa do Oeste, Assis Chateaubriand e Colombo também registraram estragos e queda de luz. Por outro lado, grandes polos como Foz do Iguaçu e Londrina não registraram prejuízos expressivos.
Temporais continuam no Paraná?
Segundo a previsão do tempo do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), embora a frente fria comece a avançar rumo ao Sudeste, a instabilidade persiste no Paraná. Nos próximos dias, as pancadas de chuva devem se concentrar no Norte, Norte Pioneiro e Leste, abrangendo a Região Metropolitana de Curitiba e o Litoral.
Já no Oeste e Sudoeste, o risco de tempestades severas perde força, embora chuvas isoladas com raios ainda possam ocorrer em pontos do estado. Diante do solo encharcado e do vento forte, a Defesa Civil do Estado mantém o alerta para enxurradas, destelhamentos e queda de galhos de árvores.
