A primavera começa no Hemisfério Sul nesta terça-feira (22), às 21h05, e, para a nova estação, o Paraná deve se preparar para um cenário de instabilidade e calor. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a primavera será marcada por volumes de chuva e temperaturas acima da média histórica em todo o estado até dezembro, impulsionados pelo fortalecimento do fenômeno El Niño.
O fenômenos, caracterizado pelo aquecimento das águas do oceano Pacífico, deve atingir o pico de intensidade entre o fim da primavera e o início do verão. A atualização do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (NOAA) confirma que o fenômeno está se fortalecendo, injetando mais calor e umidade na atmosfera. Essa combinação serve como “combustível” para a formação de temporais e tempestades severas.
De acordo com informações do Simepar, a transição climática ao longo dos próximos meses ocorrerá de forma gradual:
- Setembro: Registra temperaturas dentro da média na maior parte do estado, com possibilidade de valores ligeiramente acima na metade Norte.
- Outubro: Clima dentro ou ligeiramente superior à média climatológica em todas as regiões do Paraná.
- Novembro e Dezembro: Altas temperaturas generalizadas e chuvas volumosas. Os maiores desvios de precipitação se concentrarão nas faixas Oeste, Sudoeste e Centro-Sul em novembro, e no Oeste em dezembro.
O Simepar lembra que as frentes frias desta época costumam se deslocar mais pelo oceano. No entanto, a passagem de sistemas frontais combinada a áreas de baixa pressão vindas do Paraguai tornará as tempestades mais frequentes no continente.
Paraná intensifica ações preventivas
Diante dos alertas meteorológicos, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) alinhou estratégias com os 399 municípios paranaenses por meio dos dez Núcleos de Atuação Regional (NAR). O foco é preparar as prefeituras para melhorar a drenagem urbana e atualizar os Planos de Contingência.
Segundo o Simepar, até o momento, 278 prefeituras já executaram medidas preventivas, como manutenção de bueiros, desassoreamento de rios e simulações de gestão de desastres. Municípios como Morretes e Antonina passaram por simulados práticos com moradores de áreas de alto risco para alinhar rotas de fuga e protocolos de emergência.
Para aliviar os impactos de possíveis enchentes e alagamentos, o Governo do Estado estruturou um pacote de medidas integradas entre diferentes pastas:
- Reforço na frota: Entrega de 110 caminhonetes 4×4 para a Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e equipes municipais (68 viaturas foram repassadas diretamente às cidades para facilitar o acesso a locais isolados).
- Alertas por celular: Em parceria com a Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial (Seia), 12 torres de telefonia e internet estão sendo instaladas em áreas vulneráveis, permitindo que cerca de 12 mil moradores recebam alertas da Cedec em tempo real.
- Abrigos e assistência social: Mapeamento e revisão de 1.353 abrigos ativos no estado e cadastro da população vulnerável, em ação promovida com a Secretaria do Desenvolvimento Social e Família (Sedef).
- Agilidade em obras: O Instituto Água e Terra (IAT) concedeu dispensa de licenciamento ambiental para obras emergenciais de prevenção, mitigação e resposta a desastres.
- Segurança escolar: O Programa Brigadas Escolares intensificou vistorias em prédios da rede pública e promoveu treinamentos com alunos e servidores.
