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Milhares de raios, estragos no campo e novas chuvas: Paraná enfrenta sequência de tempestades

Em poucas horas, os sensores do Simepar detectaram a incidência de 6.773 raios do tipo nuvem-solo espalhados pelo território paranaense. Foto: Albari Rosa | Gazeta do Povo | Arquivo

A passagem de uma frente fria e o avanço de uma massa de ar instável trouxeram chuvas intensas, vendavais e tempestades elétricas para diversas regiões do Paraná entre esta segunda-feira (21) e a manhã desta terça-feira (22).

Segundo dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o estado registrou um volume expressivo de descargas elétricas. Apenas entre a meia-noite e as 9h desta terça-feira, os sensores detectaram a incidência de 6.773 raios do tipo nuvem-solo espalhados pelo território paranaense.

Entre os municípios com maior número de descargas elétricas registradas nas primeiras horas do dia, destacam-se:

  • Tibagi: 269 raios
  • Santo Antônio da Platina: 188 raios
  • Ribeirão Claro: 177 raios
  • Loanda: 169 raios
  • Ortigueira: 139 raios
  • Carlópolis: 134 raios
  • Telêmaco Borba: 111 raios
  • Piraí do Sul: 106 raios

Na segunda-feira (21), os temporais também provocaram queda expressiva de raios em várias regiões. Cidades como Londrina (404 raios), Ortigueira (382 raios), Castro (378 raios) e Cerro Azul (342 raios) lideraram as ocorrências.

Acumulado de chuva no Paraná

Além dos raios, os volumes acumulados de água foram expressivos em algumas cidades. Em Assis Chateaubriand, o acumulado atingiu 93,8 milímetros (mm) em 24 horas. Na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e no Litoral, a chuva também foi forte: Curitiba registrou 65,6 mm; a Lapa, 58,0 mm; Morretes, 58,0 mm; e Antonina, 55,4 mm.

As temperaturas mínimas registradas na manhã desta terça-feira refletem a entrada de uma massa de ar mais amena na metade sul, com General Carneiro marcando 11,4 °C e Palmas, 11,7 °C, enquanto na RMC os termômetros ficaram na casa dos 13 °C.

Influência do El Niño e novas instabilidades

Embora o centro da frente fria comece a se deslocar em direção ao Sudeste, o tempo não se firma completamente no Paraná. Pancadas de chuva ainda se concentram no Norte, Norte Pioneiro e Leste do estado.

O agrometeorologista José Reinaldo, da Embrapa Clima Temperado, explica que a violência das tempestades nesta época tem ligação com o clima global. “A primavera é, historicamente, a época do ano em que as tempestades mais fortes se formam no Sul do Brasil, devido ao encontro do calor e da umidade vindo do Norte com frentes frias. Dito isso, este ano temos um componente a mais: um El Niño que caminha para forte intensidade, aumentando as chances de chuva acima do normal”, avalia.

A tendência para os próximos dias é de uma trégua gradual, mas os modelos meteorológicos já sinalizam novas instabilidades no Sul no fim de setembro e no início de outubro.

Campo sofre com apagões, granizo e atraso no plantio da soja

No setor produtivo rural, os estragos foram pontuais, mas expressivos. Segundo o gerente técnico do Sistema FAEP, Jefrey Albers, os relatos incluem queda de granizo, ventos fortes, destelhamento de barracões e granjas, além da queda de árvores e postes. “Até 150 mil unidades consumidoras ficaram sem energia elétrica entre ontem e hoje”, destaca.

A chuva excessiva traz outro gargalo imediato: o atraso na semeadura da safra de verão. “O excesso de chuvas tem impedido o avanço do plantio da soja em diversas regiões. Muitos produtores ainda não iniciaram a semeadura e estão aguardando uma janela mais adequada, inclusive para evitar entrar no campo com o solo excessivamente úmido”, explica Albers.

Para evitar perdas maiores, a Embrapa Clima Temperado recomenda não trafegar com máquinas em terrenos encharcados a fim de impedir a compactação do solo e a erosão. Além disso, adubar ou pulverizar em dias de temporal previsto pode resultar em desperdício de insumos lavados pela chuva.

A FAEP destaca que elaborou uma cartilha orientando os produtores a registrarem todos os danos com fotos e vídeos para acionar seguradoras e linhas de crédito emergencial, além de reforçar a importância de diferenciar o seguro da lavoura do seguro patrimonial de barracões e equipamentos.

Efeito dominó no comércio e serviços

Nas cidades, o vento forte e as tempestades elétricas afetaram diretamente o comércio de rua e os prestadores de serviços, principalmente por conta da queda de energia e de internet.

O presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap), Flávio Furlan, aponta que a falta de luz paralisa as vendas de forma geral. “A falta de energia impede o recebimento de pagamentos via Pix, máquinas de cartão e aplicativos de entrega. Isso gera um efeito dominó sobre as vendas. Além disso, quando a população evita sair de casa devido aos alertas de tempestade, o fluxo nos estabelecimentos cai drasticamente”, afirma.

A Faciap acompanha os reflexos no interior e avalia junto às associações locais a necessidade de linhas de crédito emergenciais para socorrer lojistas prejudicados.

Para se precaver de novas pancadas de chuva nos próximos dias, as entidades recomendam aos empresários e produtores a limpeza de calhas e telhados, a proteção de estoques e equipamentos em locais elevados, o backup de sistemas e a retirada de aparelhos eletrônicos das tomadas em momentos de chuva com raios.

Haverá mais tempestades no Paraná nos próximos dias?

De acordo com o boletim do Simepar, o eixo principal da frente fria começa a se deslocar em direção ao Sudeste do país, mas o Paraná ainda permanece sob influência da instabilidade.

Para a sequência dos dias, a previsão indica que as pancadas de chuva concentram-se principalmente nas regiões Norte, Norte Pioneiro e Leste (incluindo a Região Metropolitana de Curitiba e o Litoral). Embora o risco de tempestades severas e vendavais diminua gradativamente nas regiões Oeste e Sudoeste, pancadas isoladas acompanhadas de descargas elétricas ainda podem ocorrer em pontos do estado.

A Defesa Civil do Estado mantém os alertas de risco para enxurradas, destelhamentos e queda de galhos de árvores devido ao solo encharcado e à possibilidade de rajadas de vento pontuais.

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