A tarifa de ônibus em Curitiba sobe de R$ 1,50 para R$ 1,70 a partir da 0h de amanhã. A Prefeitura alegou que o aumento de 13,33% é necessário para garantir o reajuste salarial dos trabalhadores do sistema de transporte coletivo e cobrir a defasagem do óleo diesel, que teve duas altas não repassadas para a tarifa (de 9,5% em primeiro de dezembro e 11,3% no dia 29 de janeiro). Os salários dos trabalhadores representam 44,3% da planilha de custos da passagem e o óleo diesel passa a pesar 26,35% sobre a tarifa.

Após 90 dias de negociação e impasse, o Sindimoc (Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana), o Sindesmap, que representa os funcionários administrativos e operacionais (mecânicos, borracheiros, lavadores), e o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana finalmente fecharam o acordo coletivo na última quinta-feira, garantindo correção de 16,36% para os motoristas e 16,08% aos cobradores. O salário inicial dos motoristas passa para R$ 897,80 (piso de R$ 820,80 mais R$ 77 de cesta básica) e o dos cobradores sobe para R$ 539,60 (piso de R$ 462,60 mais a cesta de produtos). Com o anuênio de 2%, mantido na convenção coletiva, o salário médio dos motoristas será de R$ 1.023,00 e o dos cobradores, R$ 598,00.

Mecânicos, porteiros e pessoal administrativo terão reajuste de 16,33%, equivalendo ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado de fevereiro de 2002 a janeiro de 2003. Amparado por decisão da Justiça do Trabalho, o reajuste será retroativo a primeiro de fevereiro, data-base da categoria. Os trabalhadores do transporte coletivo também conseguiram manter a jornada de trabalho de seis horas e uma correção no seguro de vida, cujo valor não foi fixado ainda.

O aumento salarial ficou acima do reajuste de 11% concedido no ano passado. “Foi uma árdua, mas excelente negociação”, comemorou o presidente do Sindimoc, Denilson Pires. “Demos um salto de qualidade muito grande. Com esse acordo, os motoristas de Curitiba passaram a ter um dos melhores salários do Brasil”, destacou. O acordo beneficia cerca de 12 mil motoristas e cobradores e 3 mil funcionários administrativos e operacionais do sistema de transporte coletivo da Grande Curitiba.

Só em Curitiba

O novo preço da passagem valerá somente para as 285 linhas integradas que operam em Curitiba, apesar de um convênio firmado entre o governo do Estado e a Prefeitura conferir à Urbs o gerenciamento de todas as linhas da Grande Curitiba. Porém para valer em toda a Região Metropolitana, o aumento precisa do aval da Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba). O órgão do governo estadual tem prazo até 30 de abril para se manifestar em relação à alteração da tarifa nas 185 linhas que atendem à Região Metropolitana.

Por isso, os 346 mil passageiros pagantes que moram em outros municípios da Região Metropolitana e vêm a Curitiba pela Rede Integrada de Transporte pagarão R$ 1,50, valor que continuará valendo para todas as linhas integradas da Região Metropolitana. Ao retornar ao seu município de origem, ou seja, sempre que embarcar nos pontos de parada, estações-tubo ou terminais de Curitiba, a passagem custará R$ 1,70. A mudança da tarifa atingirá 930 mil passageiros pagantes do sistema urbano.

A Prefeitura esclarece que a tarifa diferenciada dentro da Rede Integrada de Transporte é uma situação temporária que tem o objetivo de garantir o equilíbrio econômico-financeiro do sistema de transporte operado por 10 empresas urbanas e 18 metropolitanas. Enquanto aguarda uma definição da Comec, a Urbs reduzirá em 10% a oferta de ônibus nas linhas metropolitanas. As mudanças serão definidas pelas próprias empresas, que deverão informar a Urbs as mudanças de horários e ônibus nestas linhas.

Metropolitano usará vale de papel

A partir de segunda-feira (24), as moedas metálicas (fichas de vale-transporte) não serão mais vendidas no posto de venda do vale-transporte metropolitano localizado na Rua Francisco Torres, 253, próximo ao Terminal Guadalupe, em Curitiba. Em vez de fichas, o posto de venda venderá vales em papel que terão o valor de R$ 1,50.

Estes novos vales terão que ser adquiridos pelos usuários de linhas metropolitanas integradas para os deslocamentos da Região Metropolitana para Curitiba. Ao retornar ao seu município, caso o passageiro utilize uma linha urbana para então acessar as linhas metropolitanas, ele deverá continuar usando as fichas metálicas.

Quem ainda tem as fichas poderá continuar utilizando as moedas nos deslocamentos da Região Metropolitana para Curitiba. Cada moeda de vale-transporte tem o valor de uma passagem. Os vales das empresas não integradas foram confeccionados em papel especial para impedir a falsificação. Esta alternativa será utilizada até que seja definida a mudança da tarifa para as linhas metropolitanas.

A Urbs e as bancas credenciadas a realizar a venda de vales transporte para Curitiba continuarão comercializando as moedas metálicas pelo valor de R$ 1,70.