El Niño

Chuva não dá trégua? Simepar prevê período prolongado de volumes acima da média no Paraná

Imagem mostra um dia de chuva e céu fechado em Curitiba, com pessoas de guarda-chuva passando em uma rua bem escura por causa do tempo fechado.
Foto: Arquivo/Aniele Nascimento/Tribuna do Paraná.

O Paraná deve enfrentar um período prolongado de chuvas intensas e volumes acima da média histórica até o verão 2026/2027. O aviso consta no boletim de atualização sobre os impactos do El Niño, divulgado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) nesta quinta-feira (10).

O estado já registra chuvas fortes nesta semana. Até a tarde desta quinta, diversas regiões registraram acumulados superiores a 60 milímetros (mm): Mangueirinha (80,4 mm), Coronel Domingos Soares (75,4 mm), União da Vitória (74 mm), São Mateus do Sul (73,2 mm), Ponta Grossa (73 mm), Sengés/IAT (72,2 mm), Quedas do Iguaçu (71,2 mm), Jacarezinho/Sanepar (70,8 mm), Distrito de Entre Rios, em Guarapuava (67,8 mm), Pato Branco (64,8 mm) e Rio Branco do Sul/IAT (60,6 mm).

Também foram registrados dois tornados no Paraná em menos de 24 horas. O Simepar confirmou os fenômenos em Francisco Alves, no Noroeste, e em Espigão Alto do Iguaçu, na região Centro-Sul.

O boletim divulgado nesta quinta acende o alerta até o verão para a ocorrência de temporais severos, queda de granizo, enxurradas e deslizamentos de terra devido à alta concentração de água em curtos intervalos de tempo.

Segundo o Simepar, há mais de 90% de probabilidade de o evento ser categorizado como “muito forte” durante a primavera e o verão no Brasil. Projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam 75% de chance de este se tornar o El Niño mais severo registrado no planeta desde 1950. O pico do fenômeno está previsto para o trimestre entre novembro e janeiro, quando a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial poderá atingir 2,9 °C acima da média.

Regiões do Paraná sob maior risco

Embora o volume de chuva acima da média seja previsto para todo o território paranaense, os maiores desvios em relação ao padrão histórico devem se concentrar em quatro regiões:

  • Centro-Sul
  • Sul
  • Oeste
  • Sudoeste

O boletim destaca que a combinação do solo já saturado com precipitações volumosas aumenta o risco de cheias repentinas, raios e deslizamentos de encostas.

Inverno acumulou recordes no estado

Os efeitos do aquecimento do Oceano Pacífico vêm sendo observados no estado desde o início do inverno, potencializados por frentes frias, cavados e sistemas de baixa pressão.

Em julho, das 45 estações meteorológicas do Simepar, 41 registraram chuva acima da média histórica. O destaque foi Palmas, no Sul do estado, que acumulou 311 milímetros (mm) — o maior volume para o mês nos 28 anos de operação da estação local. Municípios como Foz do Iguaçu, Altônia, Cianorte, Cornélio Procópio, Cruzeiro do Iguaçu e Ubiratã também registraram os maiores volumes para julho da história recente de suas estações.

Em agosto, o padrão persistiu: apenas três das 47 estações ativas (Cianorte, Maringá e Apucarana) ficaram abaixo da média. Em contrapartida, Fazenda Rio Grande, Laranjeiras do Sul e o Distrito de Horizonte (Palmas) bateram recordes históricos de chuva para o mês.

Monitoramento diário

Apesar dos indicativos de longo prazo, o Simepar ressalta que o acompanhamento diário das previsões do tempo continua sendo indispensável. A ocorrência exata de episódios críticos depende da dinâmica e da passagem de sistemas atmosféricos específicos pela região.

O que é o El Niño

O El Niño — componente oceânica do sistema ENOS (El Niño – Oscilação Sul) — é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Por alterar a circulação de ventos e a pressão atmosférica em escala planetária, o fenômeno modifica o regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do globo por períodos que variam de meses a anos.

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