A primeira sabatina com pré-candidatos ao Governo do Paraná, promovida pela União dos Vereadores e Gestores Públicos do Paraná (Uvepar) e pela Escola Paranaense de Direito, antecipou temas que devem dominar o debate da sucessão estadual de 2026.
Durante dois dias, vereadores, gestores públicos e lideranças municipais acompanharam entrevistas de até 30 minutos com os pré-candidatos Requião Filho (PDT), Rafael Greca (MDB), Luiz França (Missão) e Sandro Alex (PSD). A sabatina com os pré-candidatos colocou em discussão temas como economia, desenvolvimento regional, gestão pública, agricultura, infraestrutura e o futuro dos municípios paranaenses.
Para o professor da Escola Paranaense de Direito e um dos mediadores do evento, Luiz Gustavo de Andrade, a iniciativa representou uma oportunidade para aproximar os postulantes ao Palácio Iguaçu das lideranças municipais e fortalecer o debate democrático. “Você só consegue decidir por um bom mandatário se ouve esse mandatário. Quando ele aceita participar de uma sabatina e responder perguntas do público, demonstra respeito pelo eleitor e pelos gestores locais”, afirmou.
Segundo ele, a participação dos pré-candidatos permitiu que vereadores e gestores públicos conhecessem melhor as propostas e as prioridades de cada nome que busca espaço na disputa pelo governo estadual.
Sabatina com pré-candidatos destaca economia e apoio ao interior
A economia apareceu como tema central em praticamente todas as entrevistas da sabatina com pré-candidatos, embora cada participante tenha apresentado soluções diferentes para impulsionar o crescimento do estado e melhorar a qualidade de vida da população.
Requião Filho concentrou boa parte de sua participação em críticas ao atual modelo econômico do estado. O deputado estadual defendeu a redução da carga tributária para micro e pequenas empresas, a revisão da privatização da Copel e políticas voltadas para estimular a permanência da população nas cidades do interior. “O Paraná é hoje o segundo estado mais caro para se morar no Brasil. Nós temos o maior ICMS do país”, afirmou.
Uma das principais propostas apresentadas por ele foi a criação de uma política de ICMS zero para micro e pequenas empresas, medida que, segundo o pré-candidato, ajudaria a reduzir custos, estimular contratações e movimentar a economia local. Requião também criticou o atual modelo de pedágios e os altos custos de energia elétrica, que, na avaliação dele, prejudicam a competitividade do estado.
O pré-candidato também defendeu que o Paraná amplie o apoio aos pequenos produtores rurais, com linhas de crédito, incentivos à agricultura familiar e programas que reduzam custos de produção. “A gente ajuda o pequeno porque qualquer um que faça uma construção sabe: começa pela fundação. Sem fundação não dá para crescer”, disse ao defender crédito e incentivos para agricultores familiares.
Segundo ele, fortalecer o pequeno agricultor é uma forma de gerar emprego, estimular a agroindustrialização e evitar o êxodo de jovens para os grandes centros urbanos. Requião ainda citou a retomada de programas voltados ao campo, incluindo incentivos para irrigação, energia rural e aquisição de equipamentos agrícolas.
Já Sandro Alex adotou uma linha diferente. O deputado federal e secretário de Infraestrutura e Logística licenciado destacou os indicadores econômicos do Paraná nos últimos anos e defendeu a continuidade das políticas implementadas pela gestão do governador Ratinho Junior.
“O Paraná fez a sua lição de casa. O Paraná tem hoje a melhor saúde financeira do Brasil”, declarou.
Ao longo da entrevista, Sandro atribuiu o desempenho do estado ao equilíbrio fiscal e à capacidade de investimento construída nos últimos anos. Segundo ele, “a atual gestão criou condições para ampliar obras de infraestrutura, fortalecer os municípios e atrair novos empreendimentos.”
Para o pré-candidato do PSD, o principal desafio dos próximos anos será manter esse ritmo de crescimento sem interromper projetos em andamento. Ele citou investimentos em saúde, educação, habitação e pavimentação urbana e rural como exemplos de políticas que, na avaliação dele, devem ser ampliadas.
Sandro também ressaltou a necessidade de atender as demandas específicas dos municípios, defendendo a manutenção de programas voltados ao desenvolvimento regional e à atração de investimentos. O pré-candidato afirmou que o Paraná deve continuar apostando na descentralização de serviços públicos e na parceria com as prefeituras para impulsionar o crescimento econômico em diferentes regiões do estado.
Sabatina com pré-candidatos apresenta propostas para municípios
A situação dos municípios também esteve no centro da sabatina com pré-candidatos, especialmente diante dos impactos esperados da reforma tributária e das dificuldades enfrentadas por cidades de pequeno porte para ampliar investimentos e manter serviços públicos.
Luiz França concentrou sua fala na necessidade de rever a estrutura administrativa do estado e o modelo de distribuição de recursos públicos. O pré-candidato argumentou que alguns municípios de pequeno porte poderiam ser incorporados administrativamente a cidades maiores, tornando-se distritos.
“Não há justificativa para 399 municípios no estado”, afirmou ao defender uma rediscussão do desenho administrativo paranaense diante dos impactos da reforma tributária. Segundo ele, a medida permitiria reduzir gastos burocráticos e direcionar mais recursos para serviços públicos essenciais, especialmente saúde, educação e infraestrutura.
França também defendeu mecanismos de repasse de recursos baseados em indicadores de desempenho, premiando municípios que apresentem avanços em áreas consideradas estratégicas. “O município tem que ser avaliado não pela proximidade que ele tem com o governador, mas pelos índices que está entregando”, declarou.
Ao longo da entrevista, o pré-candidato do Missão reforçou que pretende ampliar a participação regional na definição de investimentos públicos, dando mais autonomia às lideranças locais para estabelecer prioridades e definir projetos de desenvolvimento.
Polarização também é abordada em sabatina
Além das propostas econômicas e administrativas, a sabatina com pré-candidatos abriu espaço para discussões sobre o ambiente político nacional e os caminhos que o Paraná deve seguir nos próximos anos.
Entre os participantes, Rafael Greca foi quem mais dedicou espaço à discussão sobre o atual cenário político. O ex-prefeito de Curitiba defendeu a busca por equilíbrio e criticou a polarização que tem marcado o debate público brasileiro nos últimos anos. “Ser de esquerda ou de direita não põe comida na mesa de ninguém. O que põe comida na mesa da gente é ser equilibrado e buscar o que é melhor”, afirmou.
Para Greca, questões ideológicas não devem impedir a construção de políticas públicas capazes de melhorar a vida da população. O pré-candidato afirmou que o desenvolvimento econômico e os investimentos em áreas como saúde e educação não podem ser tratados como pautas excludentes.
Ao abordar o papel do Paraná no cenário nacional, Greca destacou a importância do diálogo, da cooperação entre diferentes correntes políticas e da educação como instrumento de transformação social.
Apesar das diferenças de diagnóstico e das propostas apresentadas durante a sabatina com pré-candidatos, os quatro participantes convergiram em um ponto: a necessidade de ampliar a atenção aos municípios e fortalecer a relação entre o governo estadual e as lideranças locais.
A sabatina com pré-candidatos integrou a programação da 5ª Marcha dos Legislativos Municipais Paranaenses e reuniu representantes de diversas regiões do estado para discutir os desafios que estarão no centro da sucessão estadual de 2026.
