Em meio a comemorações e a protestos que terminaram em confusão, o prefeito de Curitiba, Beto Richa, formalizou ontem pela manhã a entrega de parte da primeira fase da Linha Verde. A cerimônia aconteceu no marco zero da avenida, no bairro Pinheirinho.

O prefeito plantou uma muda de pinheiro no monumento instalado no local e descerrou, em seguida, uma placa comemorativa. Em seguida, ele sairia em uma carreata de veículos antigos, mas acabou desistindo depois que alguns de seus simpatizantes entraram em conflito com os manifestantes.

O trecho já pronto tem cerca de cinco quilômetros e fica entre o viaduto da Avenida Marechal Floriano Peixoto, no Hauer, e o marco zero. Todas as pistas já estão sendo usadas.

A única exceção é a canaleta central: apesar de pronta, os ônibus só deverão começar a circular por ela no final de março de 2009, depois que as obras no terminal do Pinheirinho forem concluídas. O monumento construído no início da Linha Verde é uma espécie de taça feita de bambu, que irá proteger o pinheiro ali plantado.

Ciciro Back
Placa comemorativa é descerrada em frente a monumento no início da via.

Depois da cerimônia, o prefeito afirmou que o empreendimento é esperado por muitas décadas. “Tive a felicidade de tirar essa obra do papel e torná-la realidade, para beneficiar milhares de curitibanos e também nossos irmãos da região metropolitana.”

Para ele, o fluxo de veículos hoje é muito melhor e a canaleta de ônibus irá desafogar em 20% o eixo norte-sul do transporte coletivo. Richa também destacou o zoneamento, que foi alterado. “Foi permitida a implantação de comércio e serviços. O desenvolvimento econômico e social já acontece em toda a extensão dessa obra”, observou.

Pedestres

Questionado sobre a falta de passarelas ao longo da extensão inaugurada, o prefeito frisou que o trecho terá vários sinaleiros, com faixas de pedestres e segurança para a travessia.

“Se houver necessidade em um ou outro ponto crítico, podemos estudar a construção de passarelas e trincheiras”, concluiu. “Já existem quatro viadutos e cinco ou seis trincheiras. E está negociada a construção de um viaduto em um ponto crítico, no prolongamento das ruas Fagundes Varela e Gustavo Rattman”, completou.

A dona de casa Ermelinda Marques aprova as obras. Moradora do bairro Sítio Cercado, ela atravessa a avenida diariamente, de ônibus. “Para mim, está aprovado. Melhorou e acho que vai melhorar mais ainda”, opinou.

O entregador Denis Rodrigo Nunes também gostou. Ele mora no bairro Xaxim e vai ao trabalho de bicicleta pela Linha Verde. “Estou vindo do serviço agora, vou voltar a trabalhar de tarde e passar de novo aqui”, disse.

Manifestantes bloqueiam pista

Ciciro Back
Protesto terminou em briga generalizada, discussão e xingamentos.

Os protestos de cerca de 30 pessoas, durante a cerimônia de inauguração da Linha Verde, ontem, terminaram em confusão com simpatizantes do prefeito Beto Richa.

Empunhando bandeiras e faixas e gritando frases que cobravam mais investimentos em moradia e educação, os manifestantes – ligados a movimentos sindicais e sociais, e a partidos como PSOL, PCB e PSTU – também protestavam contra isenções de impostos em alguns pontos no entorno da via.

A manifestação ocorreu, em um primeiro momento, na pista principal da ,avenida, que segue em direção ao sul e estava bloqueada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) para a solenidade.

Depois da cerimônia, o grupo passou para a canaleta central, bloqueando a passagem dos veículos antigos que iriam seguir em carreata pela via. Enquanto a Guarda Municipal e a PRF negociavam a desobstrução da canaleta, algumas pessoas tentaram forçar passagem, iniciando uma briga generalizada.

Os policiais conseguiram conter a confusão em alguns minutos, mas o clima continuou tenso, com discussões e xingamentos. O grupo acabou seguindo pela canaleta até a Estação São Pedro, onde os policiais formaram uma barreira para permitir a passagem da carreata.

A essa altura, Richa já tinha deixado o local, desistindo de seguir no comboio. Antes da confusão, alguns dos manifestantes – entre eles o ex-candidato à prefeitura de Curitiba pelo PSOL, Bruno Meirinho – conversaram com Beto Richa.

Eles entregaram uma carta ao prefeito com uma série de reivindicações, entre elas um pedido de solução para os moradores da ocupação da Rua João Dembinski, no bairro Fazendinha. “Não temos nada a comemorar. Duzentas mil pessoas continuam sem teto e moradia digna”, explicou Meirinho.