Inclusão social. É apostando nessa iniciativa que o Ministério da Saúde (MS) está atuando no desenvolvimento e tratamento de pacientes com problemas psiquiátricos. A interação com a sociedade, através do convívio diário nos Centros de Apoio Psicossociais (CAPs), na parceria com o Programa da Saúde na Família em Hospitais Gerais e com a colaboração da Secretaria Nacional de Assistência Social, faz com esses pacientes tenham uma nova chance de viver normalmente. Essas e outras alternativas destacadas pela reforma psiquiátrica foram discutidas ontem, durante um seminário realizado pela Federação dos Trabalhadores da Saúde do Paraná (Fetraspa) e Sindicato das Empresas em Estabelecimentos de Serviço de Saúde de Curitiba (Sindesc), em Curitiba. A reforma psiquiátrica vêm sendo discutida desde a década de 70.

Segundo a médica e consultora do ministério, Mirsa Elizabeth Dellosi, que participou do evento, desde essa época os questionamentos sobre a melhor forma de tratamento são constantes. A principal proposta da reforma é tirar da exclusão os pacientes com problemas mentais, usando tratamentos que proporcionem a inclusão social. O Projeto de Lei 3.657/89, do deputado federal Paulo Delgado (PT-MG), sofreu modificações durante os anos e hoje, de acordo com a médica, “ainda não está totalmente implantado, porque nem todas as instituições de saúde incorporaram a novidade”.

Ela ressalta que a meta é atingir um número grande de pessoas e, por isso, os hospitais gerais podem se adequar com leitos específicos para os pacientes psiquiátricos. A falta de uma campanha nacional e de recursos nas instituições também atrapalha a ampliação do programa. “Em todos os setores da saúde encontramos dificuldade. Uma divulgação desse trabalho seria importantíssima, como aconteceu com a campanha da dengue, por exemplo”, conta.

Mirsa também afirmou que as clínicas antigas tiveram a sua época e fizeram o seu papel. “Naqueles anos não se tinha outra opção e, infelizmente, as pessoas ficavam isoladas, sem contato com o mundo. Mas agora isso passou e toda forma de interação social vai beneficiar o paciente”, diz. Em todo País, funcionam 525 CAPs, que atendem 15 mil pacientes. O Ministério da Saúde pretende implantar, até o final do ano, mais 200 unidades. Em Curitiba, existem hoje seis CAPs, mas segundo o Sindesc, esse número ainda é pequeno.