A retirada de ostras nas áreas de cultivo de Cabaraquara, em Guaratuba, no Litoral do Paraná, está liberada a partir desta sexta-feira (6). A autorização foi confirmada pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), após dois resultados laboratoriais consecutivos negativos para ficotoxinas marinhas, substâncias que podem representar riscos à saúde dos consumidores.
A decisão encerra a interdição sanitária temporária que impedia a retirada dos moluscos na região. Com a desinterdição, os produtores podem retomar as atividades e a população pode voltar a comprar ostras provenientes dos cultivos autorizados.
De acordo com o órgão estadual, as análises confirmaram que as concentrações de ficotoxinas retornaram a níveis não detectáveis, dentro dos critérios estabelecidos pela legislação. A confirmação do segundo resultado era necessária para encerrar a interdição, já que a primeira análise havia apresentado resultado favorável.
Liberação representa alívio para produtores de ostras
A retomada da atividade é importante para as famílias que dependem da maricultura em Cabaraquara. Segundo a Secretaria Municipal da Pesca de Guaratuba, a região tem oito produtores cadastrados e organizados em associação. A produção local é estimada em aproximadamente 80 mil dúzias de ostras por ano.
A demanda pelo produto aumenta principalmente durante o verão e os feriados, períodos em que Guaratuba recebe mais visitantes. Durante a suspensão, produtores e estabelecimentos gastronômicos precisaram adaptar suas atividades, retirando temporariamente as ostras dos cardápios e oferecendo outras opções aos consumidores.
A liberação ocorre às vésperas da temporada de verão, quando a procura pelo produto costuma ser maior. Para a Secretaria Municipal da Pesca, comunicar a retomada é importante para evitar que a suspensão continue gerando insegurança entre os consumidores, mesmo após a confirmação das condições sanitárias exigidas.
Ostras do Cabaraquara têm Indicação Geográfica
Além da importância para a economia local, as ostras de Cabaraquara têm reconhecimento de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em outubro de 2025.
O reconhecimento valoriza a origem do produto e a tradição dos produtores da região da Baía de Guaratuba.
A Secretaria Municipal da Pesca destaca a importância de preservar a reputação das ostras locais e informar os consumidores sobre a liberação oficial. A retomada foi autorizada somente depois da confirmação dos resultados laboratoriais exigidos pela fiscalização sanitária.
Adapar manterá monitoramento a cada 15 dias
Mesmo com o fim da interdição, a Adapar continuará acompanhando as condições sanitárias das áreas de cultivo. Segundo a nota técnica, serão feitas coletas de amostras a cada 15 dias, com encaminhamento para análises em laboratórios oficiais.
O monitoramento inclui três verificações: a presença de ficotoxinas marinhas, a quantidade da bactéria Escherichia coli, utilizada como indicador de contaminação microbiológica, e a identificação de microalgas potencialmente nocivas na água de cultivo.
De acordo com a Adapar, o acompanhamento permite identificar possíveis riscos com antecedência e adotar medidas preventivas para proteger a saúde dos consumidores e garantir a segurança da produção.
Com a desinterdição, a população pode voltar a adquirir ostras provenientes das áreas de cultivo liberadas em Cabaraquara.
