A Secretaria Municipal da Saúde está reforçando as ações de combate à dengue em Curitiba, mesmo com a chegada do inverno. Nesta sexta-feira (12), foi confirmado o segundo caso autóctone da doença de 2015, ou seja, o paciente não viajou para outras localidades quando contraiu o vírus. A vítima, um homem jovem residente no bairro São Braz, apresentou os primeiros sintomas no dia 17 de abril. Ele foi atendido no Sistema Único de Saúde (SUS), medicado e não precisou ficar hospitalizado. Os exames para confirmar a sorologia positiva para a dengue foram liberados hoje.

Para o secretário municipal de Saúde, Adriano Massuda, essa situação reforça a necessidade de a população e as autoridades ficarem alertas aos possíveis focos do mosquito Aedes aegypti, uma vez que o país enfrenta uma epidemia de dengue. “Desde o início deste ano, Curitiba adotou um plano de trabalho para intensificar o monitoramento de todos os casos de dengue e também dos chamados pontos estratégicos, que podem acumular água da chuva e criar o ambiente propício para a reprodução do inseto”, destaca. São locais como depósitos de ferro velho, oficinas mecânicas, borracharias, depósitos de materiais recicláveis, entre outros.

Nesta quinta-feira (11), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou dois novos óbitos por dengue no Paraná. De agosto de 2014 até agora, foram confirmados 23.447 casos de dengue no Estado. Pelo menos 98 municípios paranenses já entraram em condição de epidemia este ano, segundo o boletim da Sesa.

Alerta

A coordenadora do Programa Municipal de Controle da Dengue, Juliana Martins, fala que desde o início deste ano foram localizados em Curitiba 489 focos do Aedes aegypti, além de 160 casos confirmados da doença – destes, 158 foram casos importados, ou seja, pessoas que viajaram para locais onde há epidemia da doença. “Apesar do reduzido número de casos próprios de dengue, é fundamental manter a vigilância para que o problema não se instale. Os focos do mosquito aumentaram e foi necessário desenvolver estratégias de prevenção e controlena cidade, principalmente porque este ano foram registrados muitos casos em cidades do interior e no estado de São Paulo”, analisa.

O primeiro caso autóctone de dengue em Curitiba foi confirmado na terça-feira (9) e o paciente foi uma criança que também reside no bairro São Braz. De acordo com Juliana, os dois casos autóctones de dengue em um mesmo bairro da cidade não estão necessariamente relacionados, devido ao baixíssimo histórico de focos da região e à diferença temporal e espacial em que ocorreram, cerca de 20 dias entre um e outro.

Juliana explica que sempre que ocorre a confirmação de um caso de dengue é feito o bloqueio de transmissão em área próxima à residência do paciente. Todos os moradores da região recebem a visita do agente de saúde para verificar a existência de focos do mosquito. Mas ela ressalta que a Secretaria Municipal da Saúde realiza um trabalho contínuo de combate aos focos do mosquito, que inclui visitas domiciliares, monitoramento quinzenal de pontos considerados estratégicos, atividades educativas e registro de infração em estabelecimentos comerciais que descumprem as adequações exigidas para combater o mosquito. “As atividades educativas serão intensificadas porque o controle do mosquito depende também da atitude de cada cidadão, ao realizar os procedimentos de rotina e evitar deixar potes e outros locais com água parada”, enfatiza.

A Secretaria Municipal da Saúde também elaborou informativos epidemiológicos direcionados aos profissionais de saúde das redes pública e privada com um alerta para que, diante dos sintomas – febre alta, dor na cabeça e nos olhos, fadiga – os médicos solicitem exame de sangue do paciente para confirmar a sorologia. “São sintomas que podem, facilmente, ser c,onfundidos com uma gripe forte”, ressalta o secretário. Quando não tratada corretamente, a doença pode evoluir para um quadro mais agressivo.