O “beijo” da Ponte de Guaratuba, no litoral do Paraná, aconteceu entre a noite de quinta (05/03) e madrugada desta sexta-feira (06/03), marcando o encontro entre as duas partes da estrutura. Com conclusão de obra próxima, a ponte começou a ser construída em 2023 e, desde então, reúne uma série de números curiosos.

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Importantes números mostram, por exemplo, o tempo de economia na travessia de quem está em Guaratuba e vai para Matinhos ou vice-versa. A travessia de ferry boat que hoje leva em torno de 20 minutos a 30 minutos, será feita em questão de 2 minutos pela ponte.

Até o momento foram utilizados 45 mil metros cúbicos de concreto, 5,5 mil toneladas de aço e 300 toneladas de gelo para controle térmico das concretagens. Também foram feitas escavações que avançaram 15 metros em rochas no fundo do mar.

Alturas das torres da Ponte de Guaratuba

As torres da parte estaiada, que tem 12 cabos de aço cada, são mais altas que o Cristo Redentor e o Buda de Ibiraçu, do Espírito Santo. Elas têm 40 metros de altura, enquanto o Cristo Redentor tem 38 metros de altura, sendo 9 metros de pedestal, e o buda localizado no Mosteiro Zen Morro da Vargem tem 35 metros de altura. A título de comparação, a Catedral de Maringá tem 124 metros de altura e a Estátua da Liberdade, em Nova York, 93 metros de altura.

O que a Ponte de Guaratuba e a Torrei Eiffel têm em comum?

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A obra já utilizou mais de 5,5 mil toneladas de aço e 45 mil metros cúbicos de concreto.

Em relação ao aço, uma comparação possível é com a Torre Eiffel, projetada pelo engenheiro Gustave Eiffel e concluída em 1889 para a Exposição Universal de Paris, que tem 7,3 mil toneladas na estrutura.

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Em relação ao concreto, o Burj Khalifa, prédio mais alto do mundo, em Dubai, recebeu os mesmos 45 mil metros cúbicos de concreto na fundação, 13 mil metros cúbicos a mais que a Ponte de Guaratuba. Já Itaipu Binacional foi feita com 12,7 milhões de metros cúbicos.

Toneladas de gelo na construção

Uma técnica utilizada na Ponte de Guaratuba também chamou a atenção: o uso de gelo na concretagem dos blocos de coroamento da ponte. Foram utilizados, até o momento, cerca de 300 toneladas de gelo, de acordo com o levantamento do Consórcio Supervisor Ponte de Guaratuba. Essa quantidade é praticamente um terço do que é consumido no Carnaval de Salvador.

Segundo a equipe de engenharia da obra, essa técnica, comum em grandes intervenções, tem como objetivo controlar a temperatura do concreto durante o processo de hidratação do cimento. A reação química libera calor e, em grandes volumes de concreto, como nos blocos de coroamento da ponte, esse calor pode causar fissuras térmicas. Ao manter a temperatura do concreto mais baixa, minimiza-se o risco de fissuras térmicas na estrutura, garantindo a integridade da estrutura.

Trecho estaiado e estais

O trecho estaiado da Ponte de Guaratuba, com 320 metros, é um dos componentes mais emblemáticos do projeto. Ele permitirá vencer o vão central de 160 metros, garantindo o gabarito de navegação exigido (19 metros de altura por 90 metros de largura) sem a necessidade de pilares no canal, preservando o tráfego de embarcações e reduzindo impactos ambientais.

Cada estai (cabo de aço) é composto por: 61 cordoalhas, cada uma formada por 7 fios de aço de alta resistência, com três camadas de proteção anticorrosiva (galvanização, aplicação de cera e capa de polietileno de alta densidade – PEAD). Um único estai pode suportar cerca de 610 toneladas, que é o mesmo peso de uma viga de concreto do novo viaduto do Tarumã, em Curitiba.

Cada cordoalha é tensionada a aproximadamente 10 toneladas. A instalação dos estais foi feita em sincronia com a execução das aduelas, construídas em balanços sucessivos. A cada nova aduela concretada a partir das torres, um novo par de estais foi instalado, içado até o topo dos mastros, fixado e posteriormente tensionado por equipamentos hidráulicos de alta precisão.

Estacas gigantes para a fundação da ponte

A fundação da ponte impressiona, com estacas que alcançam 55 metros de profundidade, sendo 15 metros escavados em rocha. Elas formaram a primeira etapa das obras. No total, foram colocadas 64 estacas de concreto na base da ponte. Cada estaca possui de 1,80 a 2,20 metros de diâmetro e de 20 a 50 metros de comprimento, chegando a pesar 470 toneladas.

3 milhões de horas trabalhadas

Para que as obras saíssem do papel, foi necessária a mão de obra humana, formada por homens e mulheres que, diariamente, atuaram na construção. No auge das obras, em agosto de 2025, 950 pessoas estavam trabalhando nas mais diferentes funções. Foram 3 milhões de horas trabalhadas. Entre os profissionais estão engenheiros e profissionais da construção civil, pedreiros, soldadores, biólogos, marinheiros, oceanógrafos, entre outros.

Para apoiar o trabalho, que acontece 24 horas por dia, foram utilizadas cinco embarcações que prestaram suporte náutico, o que inclui balsas com guindastes executando as fundações e balsas de apoio para transporte de caminhões betoneiras com concreto e armação para as estruturas. 

Mais de 25 mil animais foram encontrados

Até o momento, foram registrados 25.419 animais pelas equipes de monitoramento ambiental, distribuídos em 585 espécies/taxa, dentre macrofauna bentônica, peixes, insetos, aves, répteis e anfíbios e mamíferos. 

Macrofauna Bentônica e Ictiofauna (peixes): na macrofauna, o destaque é para o filo Mollusca, com diversas espécies de ostras, mexilhões e caramujos. Entre os peixes, a diversidade foi acentuada, com registros de algumas espécies de sardinhas, bagres, linguados, importantes para pesca da região e espécies de raias ameaçadas de extinção.

Aves: o monitoramento revelou uma expressiva diversidade de avifauna, abrangendo tanto espécies limícolas e marinhas quanto “terrestres”. Além disso, a presença de espécies com diferentes graus de sensibilidade, o que funciona como um termômetro da saúde ecológica local.

Ameaçadas: foi encontrada uma figuinha-do-mangue (Conirostrum bicolor), uma espécie que habita preferencialmente manguezais. Por ser de difícil registro, sua presença é relevante e indica certa qualidade ambiental desse ecossistema específico. A detecção da saíra-sapucaia (Stilpnia peruviana) e do papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), ambos ameaçados e com média a alta sensibilidade ambiental, também são indicadores positivos da qualidade ambiental das áreas de entorno.

Mastofauna: foram registrados relevantes mamíferos da região, como o macaco-prego (Sapajus nigritus) e o gato-maracajá (Leopardus wiedii), espécies ameaçadas. Também foi feito um registro da cuíca (Marmosa paraguayana) com filhotes, que além de ser um registro raro, é significativo.