Um estudo encomendado pela Associação Brasileira de Tratamento de Resíduos Industriais (Abetre) mostra que as empresas brasileiras gastam mais de R$ 400 milhões anuais com a correção dos passivos ambientais que geram. O montante foi levantado com base nos dados de 44 empresas especializadas no tratamento desse tipo de resíduos, respondendo por 78% de todo o volume abrangido pelo setor. O Paraná aparece como um dos estados onde mais empresas de tratamento especializado têm se instalado, até para atender à demanda industrial crescente. Mesmo assim, o estudo aponta que há ainda muito por fazer para diminuir esse passivo.

O levantamento da Abetre, em parceria com a auditoria PricewaterhouseCoopers (PwC), constatou que os R$ 400 milhões são referentes apenas aos gastos que as empresas têm com os serviços especializados contratados para corrigir seus passivos. Custos internos, assim como despesas judiciais e aquelas relacionadas a multas e indenizações não são contempladas, o que implicaria em gastos bem maiores, caso entrassem na contabilidade. ?O passivo ambiental deve ser evitado porque acaba saindo bem mais caro que o tratamento?, diz o presidente da associação, Diógenes Del Bel.

Para isso, a mentalidade das empresas deve estar focada tanto na destinação dos resíduos que gera como na produtividade em si, acredita. ?Devido à sua importância, a gestão ambiental deve estar ligada às áreas estratégicas. A prova é que as empresas que têm melhores resultados são as que colocaram em alto nível decisório essa questão?, afirma. Estocados indevidamente, os resíduos podem contaminar solo, água e pessoas e as empresas responsabilizadas por isso acabam arcando com altos custos e prejuízo à imagem corporativa.