Chuniti Kawamura / O Estado do Paraná
Márcia, Tânia e César Bertoja: sede
errada e fila para a filha ir à Disney.

Desde ontem, a Polícia Federal voltou a fazer a emissão de passaportes e o atendimento a estrangeiros na sede da Rua Dr. Muricy, no centro de Curitiba. Nos últimos quinze dias, o atendimento estava sendo feito na superintendência da PF, no Alto da Glória. Em função da greve dos policiais – que durou cerca de 60 dias -, um grande número de pessoas não conseguiu retirar o documento, o que gerou uma demanda reprimida.

De acordo com o delegado da Polícia Federal e chefe da Delegacia de Imigração, Maurício Leite Valeixo, durante a greve apenas os casos considerados emergenciais foram atendidos, e a média de emissão de passaportes caiu de 180 para 50 por dia: “Isso represou o atendimento, por isso estamos com um movimento fora do normal”.

A fila em frente à sede da PF começa a se formar por volta das 5h. Para organizar o atendimento, estão sendo distribuídas 150 senhas por dia. Mas, segundo o delegado Valeixo, alguns casos especiais estão sendo atendidos independente da senha.

O casal Tânia e César Bertoja conseguiu a senha de número 60. Eles estavam na fila para fazer o passaporte da filha Márcia, que irá viajar para a Disneylândia. Como não sabiam da mudança de endereço, acabaram indo primeiro à superintendência da PF. “Com isso perdemos uma hora, pois poderíamos ser atendidos antes”, comentou César. A dona de casa Maricélia Vieira da Silva Sobral teve que atrasar a viagem ao Canadá, porque não conseguiu o passaporte: “Durante a greve, o meu caso não foi considerado emergência, e por isso não consegui o documento”. O mesmo aconteceu com a diretora escolar Patrícia Pereira do Nascimento, que estava indo pela segunda vez à PF. Com a senha número 82, ela tinha esperança de sair com o documento na mão ainda ontem para poder viajar aos Estados Unidos.

Só urgência

O chefe da Delegacia de Imigração pediu a colaboração da população para que só procure a PF quem tem viagem marcada para os próximos dias, ou que se enquadre em uma situação de emergência: “Além da demanda reprimida, temos ainda as pessoas que vão viajar nas férias de julho, o que vem dobrando a procura pelo documento”. O conselho do delegado para quem vai viajar somente no final do ano é que deixe para tirar o passaporte a partir de agosto, para evitar filas.

Para tirar o passaporte é preciso apresentar a carteira de identidade, CPF, título de eleitor com comprovante da última eleição e duas fotos 5×7 recentes e com data e pagar uma taxa de R$ 89,71.