A implantação da Usina Mauá no Rio Tibagi pode estar ameaçada. A promotora do Meio Ambiente do Ministério Público (MP), Solange Novaes da Silva Vicentin, propôs ontem a paralisação das obras de instalação até que sejam discutidos novamente os estudos de impacto ambiental da usina.

A posição da promotora foi tomada durante a audiência pública realizada ontem, no auditório da Câmara Municipal de Londrina. A audiência, que só terminou no início da noite, foi marcada após o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Londrina levantar suspeitas quanto à qualidade da água do Rio Tibagi, utilizada para abastecer parte dos municípios do norte e centro-oeste do Estado.

De acordo com o gerente geral da Companhia de Abastecimento do Paraná, Sérgio Bahls, não há motivos de preocupação quanto à qualidade da água que será fornecida após a implantação da usina.

“Hoje temos sete pontos de monitoramento de qualidade da água. Após o início do funcionamento da usina, esse número passará para oito. Isso dará uma margem de segurança quanto à problemas que poderiam inviabilizar o consumo”, afima.

O presidente do Conselho de Meio Ambiente de Londrina, Fernando de Barros, considerou a audiência positiva, já que, segundo ele, foram apresentadas 15 propostas de planejamento, que vão desde a conservação do ecossistema do rio até o uso de energias alternativas. Barros também se mostra preocupado com a quantidade de usinas previstas para serem instaladas no rio.

“Se forem instaladas as oito usinas que previstas, o Tibagi, que é um rio de corredeira, pode virar um grande lago. Se isso acontecer, o risco de hidrólise (surgimento de algas) é muito grande”, pondera.

O superintendente geral do consórcio Cruzeiro do Sul, responsável pela implantação da usina, Sérgio Luiz Lamy, ressalta que já existem 34 programas voltados à preservação ambiental, entre eles alguns voltados à qualidade da água. “Acredito que, com essa audiência, cumprimos o nosso papel e pudemos tranqüilizar a população”, diz Lamy.