Uma lista de adaptações e regras está sendo sugerida pela Fundação Cultural de Curitiba (FCC) ao Ministério Público do Estado (MPE), como tentativa para fazer com que a Pedreira Paulo Leminski, no bairro Pilarzinho, volte a receber grandes eventos culturais.

A FCC está elaborando um documento com as propostas, que também será encaminhado ao Poder Judiciário. O objetivo é sensibilizar o magistrado que julgar o mérito da ação movida pelo MPE, para que o espaço seja reaberto.

A Pedreira está impedida de promover eventos desde março de 2008, quando uma liminar foi concedia em favor de uma solicitação do MPE por conta do impacto sonoro causado pelos eventos.

De acordo com o presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Paulino Viapiana, o órgão se reuniu com moradores, comerciantes e produtores dos eventos que concordaram em tornar mais rigorosas as regras de uso da Pedreira. Para ele, a medida poderia evitar transtornos para a população residente e para os produtores dos shows.

Entre as medidas estaria o horário limite das apresentações até às 23h, a restrição do número de bandas em no máximo três para cada evento, a proibição de shows em dias seguidos, além da definição de espaços destinados para estacionamento. “O objetivo é tentar evitar o foco onde acontecem os problemas”, afirma.

Viapiana conta que as propostas já foram levadas ao conhecimento do juiz, que deve decidir a respeito do funcionamento da Pedreira. “Ele achou a ideia boa e sugeriu que a Fundação propusesse a definição de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), o que o promotor que ajuizou a ação considera inviável”, disse.

Tal posicionamento foi confirmado pelo promotor de Justiça da Promotoria de Proteção ao Meio Ambiente, Sérgio Luiz Cordoni. Ele ressalta que, pelo fato de o processo estar sub judice, não há como propor um TAC.

“Esse assunto já foi discutido com a fundação que está ciente da situação. Trata-se de um direito indisponível, já que a perícia já foi solicitada”. Cordoni diz que apenas a perícia, que deve acontecer em setembro, poderá dizer como o espaço poderá ser ou não utilizado.

Outras praças

Segundo Viapiana, pelo menos dez shows deixaram de acontecer no local nos últimos 12 meses. Um deles foi o Curitiba Country Festival, cujas apresentações aconteceram no município de Pinhais.

“Outras prefeituras têm solicitado o evento, porque sabem do retorno positivo para a economia e para a cultura dos municípios”, afirma o promotor de eventos João Guilherme Leprevost.

Para ele, a reabertura da Pedreira é absolutamente viável, desde que sejam criadas regras claras, com sanções pesadas para quem descumprí-las. “O principal ponto é o horário dos shows. Antes as apresentações não poderiam exceder a uma hora. Chegamos a promover quatro bandas no mesmo dia e não descumprimos essa regra”, afirma.

Comércio

Os comerciantes da região esperam ansiosos pelo retorno dos eventos. Segundo Edjalma Eccher, que há 20 anos mantém uma lanchonete em frente à Pedreira, o movimento de clientes caiu entre 40% e 50%.

Desde a proibição do funcionamento da Pedreira, ele conta que recolheu 1.480 assinaturas em favor da reabertura do local. “Tivemos um reforço de mais 11 mil manifestações no site www.apedreiraenossa.com.br”, diz.