Antonio Roberto dos Santos /
  Umuarama Ilustrado
Antonio Roberto dos Santos / Umuarama Ilustrado

A ponte sobre o Rio Piquirim, na BR-272, entre Francisco Alves e Guaíra, é uma das que está em pior estado de conservação.

O motorista que trafega pelas estradas paranaenses não encontra pontes em estado precário apenas nos arredores da capital, onde muitos problemas se concentram pelo excesso de tráfego em vias que compõem importantes rotas comerciais. No interior, apesar de a concentração de pontes abandonadas não ser evidente, a gravidade da questão contempla problemas tão ou mais sérios que os vividos no tráfego das BRs e PRs ao redor do centro econômico paranaense, permeados por fatores políticos.

O interior vive de perto impasses entre os governos estadual e federal. O problema é quanto a responsabilidade por cerca de 945 quilômetros de estradas repassadas ainda no governo Fernando Henrique da alçada federal para estadual, por meio de medida provisória que não foi votada até hoje. Com a não-transformação da MP em projeto de lei, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) não reconhece a responsabilidade sobre as estradas. O DNIT admite que a verba repassada ao Estado era insuficiente para cobrir as despesas de manutenção das pontes e rodovias, mas o maior problema é que o usuário tem de agüentar a má conservação e as indefinições que já duram cerca de dois anos. Neste contexto, duas pontes – a do Rio Piquiri, na BR-272, entre Francisco Alves e Guaíra, na região Oeste do Estado, e a Interventor Manoel Ribas, mais conhecida como Ponte dos Arcos, na BR-476, em União da Vitória – estão em estado crítico, na esperança de decisões políticas antes de acidentes como o que matou uma pessoa na represa do Capivari.

A Ponte dos Arcos, construída em 1944, é patrimônio histórico e tem sérios problemas de estrutura, rebaixada em um dos lados em cerca de 20 centímetros. ?A viga de sustentação já está rompida?, avisa o engenheiro civil e secretário de Planejamento de União da Vitória, Jamar Clivatti. Apesar da urgência na restauração e o tráfego já limitado a veículos com menos de 20 toneladas, o supervisor regional do DNIT responsável pelo trecho, Gilberto Massucheto, afirma que está proibido de colocar orçamento na obra pelo impasse entre o órgão e o DER. O mesmo acontece com a ponte sobre o Rio Iguaçu, também na 476 e bem na entrada de São Mateus do Sul. A cidade aguarda com ansiedade as decisões para resolver o problema dos pedestres, principalmente. A ponte sobre o Rio Piquiri também oferece perigo ao tráfego. Além da má conservação do asfalto, de acordo com o supervisor do DNIT de Foz do Iguaçu, Vicente Veríssimo, a ponte tem trincas que comprometem a estrutura da laje e deformações visíveis.

DER faz monitoramento todos os anos

Segundo informações repassadas pelos supervisores das unidades locais do DNIT em Londrina, Campo Mourão, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e São José dos Pinhais, algumas pontes dessas regiões exigem obras de manutenção, como conservação asfáltica, de guarda-corpos e necessidade de alargamento e mudança de classe, porém, sem problemas que comprometam diretamente a estrutura.

Já o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou, via assessoria de imprensa, que realiza monitoramentos visuais a cada ano nas pontes das rodovias estaduais e, por conta disso, cerca de oito pontes chegam a receber manutenção anualmente. Segundo o departamento, a ponte do Tibagi na PR-151, entre Ponta Grossa e Palmeira, sofreu obras emergenciais; a do Rio Santa Rosa na PR-340, entre Castro e Tibagi, está em processo de licitação para obras de recuperação; e outras pontes, como as sobre os rios Cajuru (PR-151), Tibagi (PR-160), Itararé (PRT-272) e Taquara (PR-090) têm projeto pronto para obras de restauração.

O impasse das rodovias transferidas pelo governo federal ao Estado deve ser discutido na próxima quarta-feira, em Brasília, em uma reunião entre prefeitos de cidades envolvidas, como União da Vitória e São Mateus, o secretário de Transportes do Estado, Waldir Pugliesi, o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e o coordenador do DNIT no Paraná, David Gouveia. (LM)