O senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, afirmou nesta sexta-feira (7), durante sabatina promovida pela Folha de S.Paulo e pelo UOL, que, se eleito, vai fazer um “choque de gestão” na Sanepar para cortar nomeações de funcionários por critérios políticos antes de pensar em uma eventual privatização da companhia. Ele também defendeu a manutenção de projetos da gestão Ratinho Júnior (PSD), afirmou que pretende ampliar o ensino integral com formação técnica e reforçou o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Questionado se pretende privatizar a Sanepar, como fez o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) com a Sabesp, o senador disse que não tem “preconceito” com a ideia, mas não confirmou. De acordo com ele, essa análise seria feita depois de um “choque de administração” na companhia de saneamento.
“Nós queremos, sim, tirar todos aqueles apadrinhados políticos que geram ineficiência na companhia, precisamos cortar burocracias, cargos. Infelizmente, isso atinge a administração direta, mas atinge também a administração indireta, como as empresas públicas e sociedades de economia mista”, afirmou.
Ao tratar da privatização da Copel, ele afirmou que a expectativa era de aumento da eficiência da companhia, mas que isso “não está acontecendo”. O senador disse que aumentaram as quedas de energia e a demora no restabelecimento do serviço e que cabe ao governo estadual cobrar da empresa investimentos e melhorias na qualidade do serviço.
Questionado sobre como seria sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caso ele seja reeleito e Moro seja conduzido ao Palácio Iguaçu, o senador foi direto. “Será republicana e institucional, ele não precisa gostar de mim, nem eu gostar dele. Mas eu tenho certeza de que nós vamos trabalhar para virar essa página e para eleger o Flávio Bolsonaro como presidente da República. Teremos uma relação ótima”, afirmou. “Pior seria se tivéssemos um aliado do Lula no Palácio Iguaçu”, completou.
Ele também comentou a aliança com Valdemar Costa Neto, presidente do PL e um dos condenados no escândalo do Mensalão, em 2012. “Os erros que ele cometeu no passado, ele já pagou. Ele cumpriu a sua pena naquele período e se encontra, evidentemente, em outra situação no atual momento”, declarou. Valdemar é investigado no âmbito de uma operação que apura um esquema irregular de direcionamento de emendas parlamentares por pessoas sem mandato eletivo. Ele teve R$ 119 milhões em bens bloqueados por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante a entrevista, Moro evitou fazer críticas ao governador Ratinho Júnior e afirmou não ser seu adversário político: “Tenho uma relação cordial com ele, respeito, e nós vamos dar continuidade aos bons projetos do governador. A história do Paraná é como se fosse um livro escrito em vários capítulos por diversas mãos, cada um escreve o seu”.
No fim de julho, um levantamento do instituto IRG Pesquisas sobre as intenções de voto para governador do Paraná mostrou Sergio Moro na liderança do cenário estimulado de primeiro turno, com 37,4% das intenções de voto. Em segundo lugar ficou Requião Filho (PDT), com 19,1%. O ex-secretário de Estado da Infraestrutura e Logística Sandro Alex (PSD), escolhido como candidato à sucessão de Ratinho Júnior, marcou 16,5%.
Obras em estradas e desempenho na educação
Ao comentar o atual modelo de pedágio do Paraná, ele avaliou que o formato de concessão é melhor estruturado em relação ao anterior, mas que “as obras demoram muito”. Sua proposta é um painel de monitoramento para que o cidadão possa acompanhar a realização das obras nas estradas e o cumprimento de contratos por parte das concessionárias, porque, segundo ele, “o cidadão é o melhor vigilante das ações do governo”.
Caberia à sua eventual gestão, explicou, fortalecer a Agência Reguladora do Paraná (Agepar), que atua no controle de normas e tarifas das concessões estaduais. “Vamos buscar junto ao governo federal uma delegação por parte da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para que nós possamos fazer aqui também a fiscalização necessária. Hoje ela não tem esses poderes, a gente sabe disso, evidentemente”, disse.
Ao comentar a educação paranaense, ele citou o desempenho positivo do estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e disse que pretende ampliar a oferta de disciplinas profissionalizantes, técnicas e tecnológicas no ensino integral.
Também disse que é preciso “investigar” pontos como a satisfação de professores e alunos com o modelo de terceirização administrativa do programa Parceiro da Escola; se o programa gera mais eficiência e se os estudantes paranaenses estão “de fato aprendendo” ou se “estão apenas não reprovando”, referindo-se aos resultados do Ideb. Para calcular o índice, os fatores considerados são a taxa de aprovação e o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática.
Metodologia da pesquisa citada no texto: 1.200 entrevistados pelo IRG Pesquisas entre os dias 24 e 28 de julho de 2026. A pesquisa foi contratada pela Editora Bem Paraná Ltda. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,83 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-03191/2026.
