Mais de 200 escolas paranaenses, em 117 municípios iniciarão o ano letivo de 2021 sob o regime de escolas cívico-militares. A nova modalidade de ensino funcionará com gestão compartilhada entre militares e civis em escolas do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e no ensino médio.

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As aulas continuarão sendo ministradas por professores da rede estadual, enquanto os militares serão responsáveis pela infraestrutura, patrimônio, finanças, segurança, disciplina e atividades cívico-militares. O anúncio do início do programa foi feito nesta segunda-feira (26), pelo governado Carlos Massa Ratinho Junior e o secretário e Educação, Renato Feder, que assinaram a regulamentação da lei aprovada pela Assembleia Legislativa.

A partir desta terça-feira, as comunidades escolares (alunos, pais e professores) das escolas selecionadas participarão de audiências públicas sobre o tema. Foram escolhidas 215 escolas estaduais, dos municípios com mais de 10 mil habitantes e com mais de uma escola estadual na zona urbana, para que as famílias tenham alternativa à escola cívico-militar, caso opte por não matricular seus filhos em um dos colégios com este conceito.

O investimento direcionado a cerca de 129 mil alunos será de cerca de R$ 80 milhões. É o maior projeto do país nessa área. São mais de 100 mil estudantes que passarão a estudar em um colégio cívico-militar.

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“Esse programa será transformador para o Paraná. Para entregar a melhor educação do Brasil precisamos ampliar os projetos e trazer novas ideias”, afirmou Ratinho Junior. Ele destacou que a média das escolas cívico-militares no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é 20% maior do que na educação tradicional. “Esse é um modelo vencedor. Se é vencedor, queremos ofertar essa modalidade. A implantação será feita de forma democrática”.

Haverá um diretor-geral e um diretor-auxiliar civis, além de um diretor cívico-militar e de dois a quatro monitores militares, conforme o tamanho da escola. No currículo haverá o aumento da carga horária, com aulas extras de português, matemática e valores éticos e constitucionais. “Teremos aulas adicionais de português, matemática e civismo, para estudar leis, Constituição Federal, papel dos três Poderes, ética, respeito e cidadania. Os alunos vão estudar mais. E no ensino médio a principal mudança é a implementação da educação financeira”, afirmou o secretário estadual de Educação e do Esporte, Renato Feder. “É um modelo que acreditamos para o futuro”.

Segundo o secretário de Segurança Pública, Romulo Marinho Soares, que tem experiência de dez anos como professor do Colégio Militar de Curitiba, o projeto integrado tem como objetivo ampliar esse modelo para outros locais do Estado. “Um aluno com essa formação sai muito focado para o seu objetivo, seja na formação acadêmica, na formação militar, na plataforma para empreender. Vamos montar um currículo voltado para esse novo conceito, que pede mais formação”, afirmou. “Ajudaremos a implantar esse programa com muita energia”.

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Ratinho Junior rebateu a crítica da oposição de que o projeto foi apresentado e votado de forma acelerada e em momento inoportuno, por conta da pandemia, sem que as escolas estejam funcionando integralmente, o que pode dificultar a participação da comunidade das audiências públicas.

“Para implementar esse projeto, foi mais de um ano de planejamento. A epidemia retardou, queríamos ter implantando em março deste ano já, para colocar em prática no segundo semestre. Estamos lançando hoje. Agora vamos convocar os policiais militares que receberão treinamento, licitar e comprar os uniformes e adequar as escolas. A secretaria de Educação não parou na pandemia. As aulas estão ocorrendo normalmente, de forma virtual, e as audiências públicas também serão neste formato, abertas a toda a comunidade”, concluiu.

Confira a lista das escolas aptas a serem transformadas em cívico-militares