A segunda Via Calma de Curitiba, que começa na Avenida João Gualberto, no Centro, e termina na Avenida Paraná, no Santa Cândida, foi inaugurada oficialmente na semana passada e voltou a dividir quem vive no trânsito. Alguns motoristas acreditam que o limite de 30 km/h e a conciliação do fluxo de veículos intermodais uma hora vai entrar em colapso. Por outro lado estão pessoas que abandonaram o carro e fizeram da bicicleta seu principal meio de locomoção.

“Não acredito que seja a solução. Na verdade, acho que a Via Calma só vai prejudicar o trânsito. Acredito que 60 km/h seria um limite considerável para fazermos fluir”, disse um dos motoristas entrevistados pela Tribuna, que preferiu não se identificar.

Por outro lado, outros motoristas já pensam o contrário e defendem que o trânsito deve ser cada vez mais harmonizado. “De modo geral, sou a favor. É melhor ter essa divisão e esse limite, do que continuarmos registrando acidentes”, defendeu um rapaz que também pediu para não ser identificado.

Mudando de vida

O novo trecho da Via Calma favorece o ciclista e o pedestre. Depois da primeira Via Calma, muitas pessoas trocaram o carro por uma bicicleta e mudaram de vida. “Mudou até na forma de fazer amizades. Uso minha bicicleta pra tudo, até pra ir à balada, e a Via Calma ajudou muito”, contou Douglas Oliveira, de 39 anos.

Ele é designer gráfico e mora no Jardim das Américas. Disse que antes de ter a Via Calma, usava a canaleta dos biarticulados e se arriscava. “Agora tenho sensação de segurança. Ainda encontramos alguns problemas, como nas conversões à direita, por exemplo, que alguns motoristas não respeitam, mas pouco a pouco as pessoas vão se adaptando”.

Douglas, que usa todos os dias a primeira Via Calma da cidade, na Avenida Sete de Setembro, disse que o novo trajeto vai fazer com que mais pessoas mudem de vida. A segunda Via Calma vai passar por três terminais do transporte coletivo: Cabral, Boa Vista e Santa Cândida.

Como funciona

Vias calmas são instaladas ao longo das avenidas com canaletas dos ônibus biarticulados do transporte coletivo e têm duas vias lentas com sentidos opostos de tráfego. A via é compartilhada entre veículos motorizados e bicicletas, com prioridade para os ciclistas, que devem transitar exclusivamente pelo lado direito da via (nos dois sentidos), sobre área demarcada em linha tracejada.

A velocidade máxima permitida para carros e motos é de 30 km/h. Bicicaixas, uma faixa vermelha, criam uma área de parada para bicicletas nos semáforos, entre a faixa de pedestres e a área de veículos.