Estabelecer estratégias de conservação das florestas de araucária presentes no Sul do Brasil é o objetivo dos participantes do Grupo de Trabalho Araucárias Sul. Ontem, o grupo se reuniu no Hotel Mabu, em Curitiba, para discutir o assunto e montar um cronograma de trabalho voltado à preservação das florestas. Segundo o secretário nacional de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, ainda não existem dados exatos, mas acredita-se que, no Sul do País, exista apenas de 1,5% a 3% do total de área original de remanescentes de florestas de araucária.

“Ainda não foi feito um mapeamento de todas as áreas de floresta de araucária do Brasil, porém sabemos que a situação é bastante dramática e o que ainda existe está ameaçado de extinção”, afirma. “Se alguma coisa não for feita para proteger o que resta, dentro de 10 a 20 anos haverá um colapso da floresta.”

A maior ameaça às araucárias são as atividades exploratórias irregulares, feitas de forma desordenada. A madeira da araucária é considerada de boa qualidade e bastante usada pela indústria moveleira. Porém, em muitos casos, as florestas de Araucária são desmatadas para que haja utilização do solo. Dão lugar ao Pinus eliotis, considerada uma espécie invasora.

Para o secretário do Meio Ambiente do Paraná, Luiz Eduardo Cheida, a conservação das florestas de araucária deve ser feita com a proteção do que já existe e replantio do que foi cortado. “Atualmente, no Paraná, o governador Roberto Requião estuda a criação de um Parque Estadual de Preservação, na região Centro-Oeste. Também são realizadas diversas ações em parceria com o Instituto Ambiental (IAP), o Ministério Público e Polícia Florestal, com o objetivo de evitar o corte irregular”, declara.

No Paraná, existe a lei 11.054 de proteção às florestas de araucária. Porém ela não foi regulamentada e o Estado fica sujeito à resolução 278 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que proíbe o corte de araucárias, com exceção de quinze metros cúbicos para uso próprio. No Brasil, além dos Estados do Sul, também existem araucárias em São Paulo, Minas e Rio.

Compareceram ao encontro do grupo os secretários de ambiente de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, respectivamente Bráulio Barbosa e José Alberto Wenzel.