Confusão no Norte Pioneiro. Funcionários da Prefeitura de Figueira, município situado a 350 quilômetros de Curitiba, protestaram ontem em frente à sede da administração municipal, cobrando salários atrasados. Eles reclamam que estão sem o pagamento desde outubro e também ainda não ganharam a primeira parcela do 13.º. Aproximadamente 300 pessoas, entre garis, merendeiras, motoristas e outros trabalhadores da Prefeitura, participaram da manifestação.

Segundo a Associação dos Funcionários da Prefeitura, todo o comércio da cidade aderiu à causa, fechando suas portas durante o protesto. E já está prevista a realização de uma outra mobilização hoje pela manhã, novamente em frente à Prefeitura. Os manifestantes alegam que, mesmo com a manifestação, nenhuma proposta para acabar com o impasse foi apresentada pelo prefeito Jaime Higino dos Santos.

Contas públicas, como pagamento de água, luz e telefone, de responsabilidade municipal, também estariam sendo deixadas de lado. O presidente da Câmara Municipal de Figueira, Luiz Antônio de Souza, informou que a situação na cidade está caótica. "Apenas alguns trabalhadores receberam o mês de novembro, mas aqueles que mais precisam, que são carentes, não receberam nada. Tem gente passando fome, por falta de competência do administrador da cidade", afirmou.

O prefeito concorreu à reeleição, mas perdeu a disputa em outubro. Desde então, destacou o presidente da Câmara, ele não cumpre com os compromissos básicos do município. A cidade, que tem cerca de 10 mil habitantes, também apresenta problemas de infra-estrutura. Um dos diretores da associação dos funcionários da Prefeitura, Valmir de Andrade, informou que todo o material que é recolhido pelos caminhões de lixo é despejado a céu aberto, formando um lixão, sem nenhuma operação adequada. Seringas, agulhas e outros materiais passíveis de contaminação ficam expostos, sem licença prévia do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), alertou o diretor.

O hospital da cidade – também conta Valmir – que recebia apoio da administração municipal, passa por problemas. A falta de água e de luz para atendimento dos pacientes está gerando revolta na população.

A reportagem de O Estado tentou manter contato com o prefeito e seu chefe de gabinete, mas ninguém atendeu as ligações.

Inquéritos

Os problemas com administração pública no Norte Pioneiro surpreendem. Segundo um levantamento do grupo especial do Ministério Público, instalado no município de Ibaiti, com pouco mais de um ano de atuação, já foram contabilizados 440 inquéritos civis públicos contra prefeitos de 22 comarcas do Norte Pioneiro, que somam 44 municípios. O balanço aponta 408 procedimentos na área de administração pública e 32 inquéritos sobre danos ambientais.