Foto: Lucimar do Carmo/O Estado

Entre 145 e 160 moradores de rua recebem o atendimento da FAS.

Com a queda da temperatura, aumenta o sofrimento das pessoas que vivem nas ruas da capital paranaense. Em conseqüência, cresce também o número de atendimentos realizados pela Fundação de Ação Social de Curitiba (FAS), que atua na abordagem, recolhimento e encaminhamento de moradores de rua. No verão, são realizados, em média, entre sessenta e oitenta atendimentos diários. Com a chegada do frio, o número varia de 145 a 160.

"As pessoas que vivem nas ruas recebem ajuda da FAS quando a comunidade aciona o número 156 (são feitas entre 6 mil e 6.200 solicitações de busca mensais), de forma espontânea (quando as próprias pessoas procuram a entidade) e através do serviço de busca ativa pela cidade realizada por educadores", comenta a coordenadora da Central de Resgate Social da Fundação, Eliana Oleski. "Quando chegam, elas passam pela Guarda Municipal, pré-triagem, serviço social, higienização, saúde, alimentação e albergamento."

No total, segundo levantamento divulgado por Eliana, Curitiba tem 1.027 moradores de rua, sendo 638 homens, 116 mulheres e 273 crianças e adolescentes. Entre as mulheres, 61 possuem de primeira a quarta série do ensino fundamental, 31 de quinta a oitava, três têm ensino médio, doze não são alfabetizadas e nove possuem escolaridade desconhecida. No total, 43 são consideradas moradoras de rua crônicas, ou seja, vivem nas ruas há mais de três anos, não possuem residência fixa nem referência familiar.

Dos homens, 318 cursaram de primeira a quarta série, 183 de quinta a oitava, 57 têm ensino médio, 46 não são alfabetizados, 33 têm escolaridade desconhecida e um possui ensino superior, sendo originário do estado do Rio de Janeiro. Os moradores crônicos são 345. "Os que não são considerados crônicos geralmente estão nas ruas por comodidade, devido ao uso de drogas, abandono da família e condutas inadequadas em ambiente familiar, como danos a bens materiais."

A maioria dos moradores de rua (823) são originários da própria Curitiba ou de municípios da Região Metropolitana. Trinta e quatro são trecheiros (pessoas que já perderam referência de município por estarem um dia em cada lugar) e o restante é originário de cidades do interior do Paraná e de outros estados, na maioria Santa Catarina. Muitos são portadores do vírus da aids (203, sendo 180 homens e 23 mulheres) ou possuem algum tipo de comprometimento psiquiátrico (127, sendo 88 homens e 39 mulheres).