Mil crianças paranaenses devem participar do 8º Encontro Estadual dos Sem-Terrinha, que será aberto hoje (14) à noite no Assentamento Ireno Alves dos Santos, em Rio Bonito do Iguaçu, região central do Paraná. Até sábado (17), elas vão discutir temas como os direitos previstos no Estatuto da Criança do Adolescentes (ECA) e a identidade dentro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

“A criança que vive em acampamentos tem uma outra visão de mundo. Desenvolve muito cedo a consciência do valor da terra, da produção de alimentos, da importância da participação e da transformação social”, disse o coordenador do Setor de Educação do MST, Alessandro Santos Mariano.

A atividade será realizada juntamente com o 18º Encontro Estadual dos 25 Anos do MST. Segundo o coordenador, será mais uma oportunidade para uma reflexão sobre os direitos da criança e do adolescente, que, que em grande parte, não são respeitados nos acampamentos. A falta de estrutura é apontada como um dos principais problemas.

No Paraná, há atualmente 300 assentamentos, onde vivem cerca de 25 mil famílias e aproximadamente 18 mil crianças de até 14 anos. “Para atender essas crianças temos 100 escolas municipais e 30 estaduais, além de 11 itinerantes, mas a demanda ainda é grande”, destacou Mariano.

De acordo com ele, em alguns assentamentos, para chegar à escola mais próxima é preciso enfrentar uma viagem de ônibus com duração de até duas horas. As condições das estradas dificultam o acesso. “Um tempo que é roubado da convivência familiar, direito garantido no estatuto”, ressaltou. “Em Santa Maria do Oeste, as estradas são tão ruins, com tantas pedras, que nem a prefeitura consegue resolver”, exemplificou o coordenador.

Durante o encontro, as crianças irão receber brinquedos novos e usados, além de livros, CDs e DVDs com histórias e filmes infantis, doados durante a Campanha de Arrecadação de Brinquedos para os Sem-Terrinha, realizada até o dia 9 de outubro, com a participação de pessoas de todo o estado.

No último dia do encontro, elas vão entregar uma carta à coordenação do MST, expressando suas opiniões e o que significa ser criança no movimento social.