Foto: Ciciro Back

Cacique Nilo Rodrigues: ?o que mais precisamos é energia?.

Medo da perseguição e da violência dos ?brancos?. Foi isso que fez, em 1940, que os índios do continente americano ficassem reticentes em participar do I Congresso Indigenista Interamericano, no México. No entanto, após algumas reuniões e reflexões, diversos líderes indígenas resolveram participar por causa da importância histórica do congresso. Essa participação ocorreu no dia 19 de abril, que, em 1943, foi escolhido como o Dia do Índio.

O resumo do surgimento do Dia do Índio mostra uma realidade bem diferente da atual. Hoje, o grande problema não é a violência contra a população indígena, mas sim a pobreza. E, se um dia eles evitaram se misturar com os brancos, hoje precisam das facilidades ?modernas? e lutam para manter o que resta da cultura indígena.

As casas já são de alvenaria. O celular está nas mãos de alguns índios. A escola já segue o conteúdo programático igual ao da cultura branca. As crianças têm o desejo de poder continuar estudando na escola regular fora da aldeia. Quando se chega à aldeia Mbya Guarani, na Ilha da Cotinga, em Paranaguá, a primeira impressão é a de estar em um local que preserva a cultura original. O acesso é somente com barco e a aldeia fica em uma área de 1,8 mil hectares de mata.

?Ensinamos nossa cultura para as crianças. Na escola, elas aprendem a falar o guarani e elas participam do nosso ritual na casa de reza?, conta o cacique da tribo, Nilo Rodrigues. As casas das 15 famílias que moram no local são espalhadas ao longo da ilha. Uma trilha leva até a única casa de pau-a-pique, morada original dos indígenas: é a casa de reza, onde o pajé fica pelo menos seis horas por dia orando.

Mas a influência branca e a falta de estrutura logo ficam evidentes. ?Fomos obrigados a nos adaptar à cultura branca. O que mais precisamos aqui é energia elétrica, mas como é área de preservação ambiental, o Ibama não permite. Só que outras aldeias já têm?, reclama o cacique. Os índios comem o que plantam e recebem algumas cestas básicas. ?Precisamos do apoio de entidades que nos orientem a aproveitar melhor a terra?, diz. A única fonte de renda é o artesanato.

Há quatro anos, o casal Dinart e Maria Fernanda da Silva deixou a aldeia de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, para morar na Ilha da Cotinga com os quatro filhos. ?Aqui é mais perto da cidade. Mas mesmo assim não temos condições de mandar as crianças estudar fora da aldeia?, lamenta Maria. A aldeia conta com uma escola municipal de 1.ª a 4.ª séries e com um posto de saúde. ?Queríamos que a escola tivesse mais séries para as crianças não pararem de estudar. A escola também precisa de reformas?, reivindica Dinart.