O deputado federal Irineu Colombo (PT-PR) negou ontem, em Curitiba, durante entrevista a O Estado, seu envolvimento com a invasão no Parque Nacional do Iguaçu, no início do mês. Na ocasião, cerca de trezentas pessoas adentraram 3 quilômetros em meio à mata para reabrir a Estrada do Colono, que corta 17 km do parque, ligando as cidades de Serranópolis do Iguaçu e Capanema.

Fechada pela primeira vez em 1986, por decisão judicial, a estrada foi reaberta ilegalmente em 2001, mas acabou sendo novamente fechada durante ação conjunta da Polícia Federal e do Exército. Neste mês, a polícia expulsou novamente os invasores do parque.Durante a invasão, Colombo foi acusado de comandar o movimento. Por este motivo, o Ministério Público Federal ajuizou ação contra o deputado por improbidade administrativa no último dia 21. A ação também se estende aos prefeitos de Serranópolis do Iguaçu, Nilvo Perlin, de Medianeira, Luiz Yoshio Suzuke, e de Capanaema, Válter José Steffen. Todos foram responsabilizados pela incitação popular.

“Quando a invasão ocorreu, eu estava participando de um festival de música em Foz do Iguaçu, nem sabia o que estava acontecendo”, alegou o deputado. “Há algum tempo eu estava avisando as autoridades que uma invasão poderia acontecer, mas não estava fazendo uma ameaça como muitos acreditavam. Era apenas um alerta.”

Irineu se diz a favor da reabertura da estrada do Colono, por mais que diversos ambientalistas se mostrem totalmente contrários, já que ela está localizada dentro de uma área de proteção ambiental. O petista declara defender o funcionamento de uma estrada ecológica, de uso restrito, onde não haja tráfego de caminhões. “A estrada é uma pendência bastante séria dentro do Parque Nacional do Iguaçu, porém também se deve preocupar com o entorno da área, discutindo o plantio de agricultura orgânica, a recomposição de matas ciliares, o controle da qualidade da água, entre outros fatores”, propõe.

Na próxima quarta-feira, uma comissão de parlamentares vai visitar Foz do Iguaçu para conversar com dirigentes do parque e com a população, visando a criar alternativas para a melhoria do parque. No próximo ano, a previsão é de que um seminário internacional sobre o assunto aconteça em Brasília (DF).