Algo diferente chama a atenção de quem passa de carro ou a pé pela Linha Verde, no Prado Velho. O grafite do artista plástico Paulo Auma sobre o muro do Colégio Medianeira se destaca na paisagem e ajuda a quebrar o olhar burocrático do dia a dia urbano. Para Auma, a convivência com a arte é a ignição para despertar um novo pensamento sobre o mundo.

“O ser humano sem arte não é humano. Ele nasce incompleto e a arte é a busca justamente dessa completude”, afirma o artista enquanto lembra a citação do pensador chinês Confúcio, que pregava que um país só alcançava a perfeição se nele houvesse a criação artística.

A ideia do muro, formado por quatro murais, segundo Paulo Auma, nasceu da conversa com o colégio, que queria levar seu projeto pedagógico de ensino integral à obra, partindo da frase “somos mais quando nos abrimos aos demais”.

Olhando por outro ponto de vista, o grafite representa também uma ruptura com a ideia de que a Arte é uma vertente institucionalizada, presente apenas em galerias e museus. “As intervenções urbanas, realizadas nos muros estão abertas a diferentes formas de leitura sobre as cidades, seus moradores e a ocupação do espaço urbano, fazem parte da vida de cada aluno, contam histórias, dão voz a elementos muitas vezes silenciados nas cidades”, explica Regina Lecheta, professora de Artes Visuais do 9º ano do Colégio Medianeira.

A presença da arte em um ambiente tão inóspito como o trânsito é um convite à reflexão. Cada um dos murais tem uma representação própria. De acordo com Auma, temas como a ecologia, os saberes técnicos, os jogos e a espiritualidade norteiam os painéis, concebidos com os artistas plásticos Cleverson Café, Deivid Heal e Ivane Carneiro.