A surpreendente entrega de 153 cobras peçonhentas para a Polícia Ambiental em Mandaguari, na região noroeste do estado, vai ajudar a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) a produzir soro contra a picada do animal. As cobras foram recolhidas da casa de um morador de Mandaguari pelo Instituto Água e Terra. Como a entrega dos animais foi voluntária, não houve prática de crime ambiental.

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As cobras recolhidas vão fazer parte do serpentário do Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos do Paraná (CPPI), da Secretaria da Saúde.O CPPI é referência nacional na produção de soro contra picada de aranha-marrom e agora vai passar também a desenvolver antígenos contra a picada de cobras.

A secretaria vai expandir os estudos das peçonhentas e também intensificar junto à Vigilância Ambiental capacitações de profissionais para o manejo das serpentes. As cobras apreendidas pertencem aos gêneros Bothrops (jararaca) Crotalus (cascavel) que representam 70% e 11% dos acidentes com o animal no Paraná.

Acidentes com serpentes

Um levantamento feito pela Divisão de Zoonoses mostra que entre 2010 e 2020 foram registrados 5.875 acidentes envolvendo animais da “família” das jararacas; 1.190 envolvendo cascavéis e 42 envolvendo corais.

A gravidade da picada de uma cobra pode variar de acordo com a quantidade de veneno injetada, estado de saúde do acidentado, local da picada e idade da vítima. Em caso de acidente, é necessário que a pessoa apenas lave o local da picada e eleve o membro atingido. Não é necessário a realização de torniquetes. Qualquer outra atitude pode complicar a situação de envenenamento.

O mais importante, em caso de acidente, é buscar ajuda médica o mais rápido possível. Para mais informações a respeito de envenenamento, é possível ligar para o Centro de Controle de Envenenamentos pelo telefone 0800 41 0148 (plantão 24 horas).

Mais de 5 mil cobras recolhidas

Além das 153 cobras, o Laboratório de Taxonomia de Animais recebe serpentes durante o ano todo. Nos seis primeiros meses desse ano, cerca de 5 mil animais deram entrada, 399 delas eram serpentes.

De acordo com a Secretaria da Saúde, é proibido manter animais silvestres em ambientes domésticos e em cativeiro. Animais silvestres não podem ser comercializados, reproduzidos e mantidos em cativeiro sem autorização ambiental. Quem realiza a prática, se condenado, pode cumprir pena de 6 meses a um ano e multa.