Walter Alves / GPP

No caso dos controles, a cópia
pode ser feita fisicamente ou
com um componente eletrônico.

Se não bastassem os aparelhos celulares e contas bancárias, agora são os controles remotos codificados que estão sendo copiados. Com a utilização de um receptor, é possível copiar a seqüência dos códigos dos controles utilizados para abrir portões eletrônicos ou alarmes de carros e residências. Especialistas afirmam que esse tipo de mercado ainda é muito frágil no Brasil, e as pessoas estão sendo lesadas pelo desconhecimento.

O representante comercial Paulo Renato Beckert teve aparelho de som e mostruário de trabalho roubados dentro do estacionamento de um shopping em Londrina. Ele conta que ao sair o carro acionou o alarme, mas quando voltou a porta estava aberta. Por um momento, Beckert pensou que não tinha fechado o carro, mas descobriu que o código do controle remoto do alarme havia sido neutralizado ou copiado. ?A minha surpresa foi descobrir que outras pessoas já passaram pela situação?, falou.

O professor do curso de Eletrônica do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) do Paraná João Almeida de Gois explica que, ao invés de neutralizar o alarme, ele foi clonado com a utilização de um receptor. ?Esse equipamento, teoricamente simples, pode ser comprado em loja especializada, e montado por alguém que tenha um leve conhecimento em eletrônica?, comentou. Segundo ele, existem quatro tipos de condição para radiofreqüência.

A codificação fixa definida pelo usuário é o transmissor do controle remoto codificado manualmente pelo processo de corte dos trilhos na placa -muito comuns nos controles de portões. Ele transmite sempre o mesmo código, e pode ser copiado fisicamente, abrindo o controle, ou com a utilização de componente eletrônico, composto por um receptor de controle remoto na mesma freqüência. A codificação conhecida como learning code consiste de um transmissor com código personalizado de fábrica e inalterável pelo usuário. Segundo Gois, esse tipo de equipamento não permite cópia física, mas permite a recepção de sinal da mesma freqüência.

Já os equipamentos de hopping code e rolling code também possuem códigos personalizados, porém, a cada acionamento, são gerados novos códigos através de um sistema de cálculo complexo, que só o receptor original conseguirá reconhecer. ?Dessa forma, se um receptor procurar clonar o código, não vai conseguir, já que é possível fazer 16 milhões de combinações diferentes?, explicou o professor.

O engenheiro eletrônico e proprietário de uma empresa de fabricação de alarmes. Carlos Antônio Batista Ricciardi disse que nunca ouviu falar sobre a clonagem de alarmes, mas afirmou que isso é possível. O único sistema que ainda não apresenta possibilidade de fraude é o hopping, devido a sua combinação aleatória. Em relação às clonagens de controles de residência, o engenheiro diz que o processo pode ser difícil.