Denúncia

Caso Gassi Mazia: denúncia aponta “sentimento de posse” em feminicídio de médica no Paraná 

Gassi Paola de Souza Mazia, de 37 anos, foi morta a facadas neste sábado (5).
Gassi Paola de Souza Mazia, de 37 anos, foi morta a facadas neste sábado (5). Foto: Ana Dantas / redes sociais

A 23ª Promotoria de Justiça de Maringá denunciou, neste domingo (27), João Vitor Domingues Romeiro por feminicídio e abandono de incapaz. Ele era companheiro da médica Gassi Mazia, assassinada com 14 facadas em Maringá, no Norte do Paraná, no início de setembro.

Na denúncia, o Ministério Público apontou circunstâncias que podem aumentar a pena pelo feminicídio. Segundo o documento, o denunciado, “prevalecendo-se das relações domésticas e afetivas e por razões da condição do sexo feminino, com nítido propósito homicida, matou a sua ex-companheira, mediante motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima”. Depois do crime, ele fugiu e deixou sozinho o bebê do casal, de oito meses.

As investigações apontaram que João Vitor matou a médica motivado por “um sentimento egoístico de posse e inconformismo com a autonomia da vítima”, por não aceitar o fim do relacionamento. Ele teria tirado a vida da ex-companheira por considerar que ela lhe pertencia de forma exclusiva.

A denúncia também aponta que o crime foi cometido por meio cruel, “impondo à vítima sofrimento atroz, prolongado e desnecessário”. O documento cita a multiplicidade de golpes de faca, com 14 feridas perfurocortantes identificadas no corpo da vítima, associada à asfixia mecânica por esganadura.

Outro agravante apontado pelo Ministério Público é o uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Gassi foi atacada dentro da própria residência e, segundo a denúncia, o uso de uma faca “reduziu a possibilidade de reação, esquiva ou fuga”, considerando a violência empregada em um ambiente fechado e a diferença de força física entre o autor e a vítima.

Abandono de incapaz

A denúncia também sustenta que o crime ocorreu em um contexto de violência doméstica e familiar. Após matar a médica, o denunciado teria tomado banho, trocado de roupa, pegado a chave do carro da vítima e deixado o apartamento. Antes de fugir, porém, ele “trancou a porta de entrada do apartamento com chave, trancafiando e abandonando o bebê de 8 meses totalmente sozinho, indefeso e desamparado no recinto”.

A criança permaneceu sozinha por horas, exposta a perigo concreto para sua vida e saúde, enquanto chorava no interior do imóvel. O bebê foi resgatado por um tio materno, que precisou arrombar a porta do apartamento ao ouvir o choro ininterrupto do sobrinho.

Segundo a denúncia, o crime de abandono é agravado pelo fato de ter sido praticado por ascendente, neste caso, o pai da criança. João Vitor segue preso na Cadeia Pública de Maringá. Ele ocupava um cargo comissionado na Procuradoria da Prefeitura de Marialva e foi exonerado após o crime.

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