Caminhoneiros brasileiros e paraguaios fecharam a aduana da Receita Federal em Foz do Iguaçu, durante boa parte do dia de ontem. Milhares de caminhões foram colocados no local em protesto contra a cobrança de 25% do frete dos caminhoneiros paraguaios que entram no Brasil. Em represália à ação da Receita, o governo paraguaio também está cobrando valores similares para deixar que caminhões brasileiros entrem no Paraguai.

“Vamos continuar com esse piquete por tempo indeterminado. Se nada for resolvido logo, vamos fechar a Ponte da Amizade com o auxílio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)”, revelou o delegado-regional do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários Autônomos de Bens no Estado do Paraná (Sindicam), Jeová Pereira. Ele explicou que 12 mil caminhoneiros paraguaios e 5 mil brasileiros dependem diretamente do transporte de cargas na fronteira.

Lei

Segundo o responsável pela delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Sérgio Savaris, a cobrança de 25% é relativa ao Imposto de Renda (IR) retido na fonte, referente ao decreto 3000/99. “Ano passado iniciamos uma verificação geral nas empresas de transportadoras. Elas foram intimadas a nos dar informações e, pelo que me parece, descobriram que essa tributação não estava sendo paga. Então resolveram cobrar”, afirmou, destacando que a Receita é apenas um órgão executivo, não legislativo, não podendo mudar as leis. Segundo Savaris, a aduana foi reaberta e funcionava normalmente, apesar da presença dos caminhões, por volta de 18h.