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Paraná

10% dos moradores da capital estão em invasões

  • Por Guilherme Luís Voitch
Segundo a Cohab, 165 mil pessoas
vivem em ocupações irregulares.

Cerca de 165 mil pessoas, mais de 10% da população curitibana, moram em ocupações irregulares na capital do Estado. O cálculo é da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab). Pelo cadastro do órgão, Curitiba chega a seu 310.º aniversário com 57 mil famílias em mais de trezentas ocupações irregulares. No Censo de 2000, o IBGE registrou 1.587.315 moradores em Curitiba. É como se toda população de Guarapuava (163 mil pessoas) vivesse irregularmente na capital.

“É um número muito grande. Temos consciência disso”, afirma Lóris Guesse, diretor de Planejamento da Cohab. Cinco grandes áreas concentram a maioria dos habitantes dessa cidade paralela dentro de Curitiba: o Jardim Xapinhal, o Jardim Pantanal, o Conjunto Bela Vista e o Conjunto Terra Santa, todos na zona sul da cidade, e o Bolsão Audi/União, no Uberaba (zona leste). Para este ano, a Cohab pretende trabalhar com pelo menos 2144 famílias dessas cinco áreas, através de regularizações e realocações. Os recursos vêm de parcerias com bancos nacionais e internacionais de fomento e com recursos do Fundo do Meio Ambiente.

A incidência dos bolsões populacionais na zona sul não é novidade para a Cohab. A cidade deve, inclusive, continuar o crescimento nesse sentido. “Nos demais locais não há mais espaço”, diz Lóris. A ocupação da faixa sul da cidade vai contra o que inicialmente era pretendido pela companhia. “Quando Curitiba fez seu plano diretor, essa faixa seria reservada para a ocupação rural e preservação da mata”. O ponto ocupado mais ao sul de Curitiba já atinge 14 km do centro da cidade.

Perfil

Pelo cadastro feito pela Cohab nas invasões, pelo menos 50% dos moradores das ocupações são provenientes do interior do Estado. “Curitiba acaba se tornando reflexo do que acontece no campo”, explica Lóris.

Segundo ele, o inchaço na cidade é reflexo direto da evasão do campo e por isso a ação do governo estadual também é necessária para ajustar as políticas urbanas da capital. Os 50% restantes dividem-se igualmente entre pessoas nascidas na cidade e vindas de outros municípios da Região Metropolitana. Lóris destaca, inclusive, que a saída para a capital é firmar parcerias metropolitanas. “Não há como fugir disso. Curitiba está sem espaço”. O diretor admite que a maioria dos municípios da Grande Curitiba prefere não receber realocações e projetos de habitação da Cohab. Muitos prefeitos acabam vendo a situação como um problema. “Mais adiante teremos de nos entender, procurar a Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba) e fazer concessões. As populações metropolitanas já fazem o movimento pendular. As pessoas trabalham na capital e moram em outros municípios da Região Metropolitana. Aqui estão os empregos, mas não temos espaço”, diz.

Fora das invasões, a Cohab tem mais de 61 mil famílias em sua lista de espera. A previsão para esse ano é que 14.517 unidades sejam construídas em 30 loteamentos para atender à fila. O número depende de confirmações da iniciativa privada que seria parceira no empréstimo dos recursos.

Quando invadir é uma opção

Guilherme Voitch

As realocações promovidas pela Cohab nem sempre atingem o resultado esperado. No Bolsão Audi/União, no Cajuru, onde mais de 3 mil famílias vivem irregularmente, parte dos moradores foi transferida para Contenda e parte para a área conhecida como Jardim Iraí, ao lado da invasão. “São 335 famílias que agora têm suas casas certinhas e regularizadas”, explica Valdecir Dias, o Barulho, presidente da Associação de Moradores da Vila Yasmin. A Yasmim, a Vila União, a Vila Audi e o Icaraí compõe o Bolsão Audi/União.

Opção

Um dos casos emblemáticos é o do carpinteiro Clodomar Lima. Ele abriu mão de seu cadastro na Cohab e preferiu ficar com sua casa em uma área destinada à preservação ambiental. Morador da Yasmin há seis anos, ele diz ter investido mais de R$15 mil em sua residência. “Fiz disso aqui uma casa de verdade”, explica. A afirmação é verdadeira. Clodomar deu um padrão que não se vê em quase nenhuma outra residência do Bolsão. Quatro quartos mobiliados e até um barzinho de bom acabamento garantem conforto à família. “Não sou rico, fiz isso tudo com trabalho. Sou carpinteiro e usei sobras de serviço”. Na parte de trás do terreno, o carpinteiro plantou pés de limão, laranja e outras frutas.

Para baixo da Yasmin, na Vila União, as famílias permanecem sem definição quanto ao futuro. “A prefeitura não nos fala nada. Não temos água, luz e quando chove agüentamos as enchentes”, diz a dona de casa Lionilda Chaves.

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