A colheita de café no Paraná na safra 2004 já está encerrada com uma produção de 2.525.000 sacas. Do total de grãos colhidos, 52% são provenientes de lavouras adensadas, com produtividade média de 27,9% de saca por hectare. Esse rendimento, segundo o economista Norberto Ortigara, responsável pela previsão de safras e custos de produção da Secretaria da Agricultura, foi 59% maior que o das lavouras tradicionais. As propriedades de café no Paraná tem em média entre 6 e 8 hectares.

Nesse ano, o Paraná participou com 6,5% da produção nacional de café, que foi de 37,8 milhões de sacas, e em 2005, vai contribuir com 5% de uma produção estimada em 31,9 milhões de sacas. "O preço ruim e a produção de soja em alta estimulam a erradicação dos cafezais", explicou Norberto.

Em 2005 a colheita vai ser naturalmente menor, devido ao ciclo bienal, apesar do crescimento das lavouras de café adensado (56%). Mas o Deral – Departamento de Economia Rural aponta outros fatores que comprometem, como a forte seca registrada esse ano entre janeiro e abril, outra seca não tão intensa mas que afetou a florada de junho a setembro e o excesso de chuva entre maio e junho que contribuiu para desfolhar a planta.

"O manejo deficiente, a falta de combate ao bicho mineiro e à ferrugem, bem como adubação insuficiente, também contribuem para que a próxima safra seja menor", ressaltou o economista do Deral. Ele lembrou ainda que houve erradicação dos pés de café, com 6,7% das lavouras sendo substituídas por soja. "Com isso a produção deverá ficar entre 1.550.000 e 1.630.000 sacas de café beneficiado, ou seja, uma redução média de 37% em relação à safra de 2004", completou.

De acordo com Norberto, apesar da produção em baixa, a produtividade do café paranaense não perde muito para os grandes produtores (Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo). A previsão média para a próxima safra é de uma colheita de 14,5 sacas contra 15 de outros Estados. De quarto produtor em 2004, o Paraná passará a sexto em 2005, tendo à sua frente também Bahia e Rondônia.

As lavouras adensadas comportam, em média, 5.500 pés de café por hectare, contra 1.650 plantas nas lavouras tradicionais. O economista lembra que hoje os cafeicultores do Paraná passam pelas mesmas preocupações que os produtores de soja e de trigo, que vivem um período de preços ruins. Segundo ele, algumas medidas deveriam ser adotadas para evitar prejuízos, cuidados com custos; mais atenção do produtor para com sua lavoura, e que faça uma boa colheita, no pano ou seletiva. "Seria uma maneira do agricultor tirar essa diferença que perde em produtividade, para ganhar na qualidade da bebida", disse Norberto Ortigara